- Governo renova cota de importação de veículos elétricos CKD e SKD a partir de 1º de julho de 2026.
- Medida permite entrada de até US$ 463 milhões em veículos eletrificados durante seis meses.
- Indústria automotiva brasileira critica decisão por impactar investimentos e cadeia produtiva nacional.
- Ministério do Desenvolvimento defende medida como alinhamento às políticas de descarbonização e mobilidade sustentável.
- Expansão do mercado eletrificado no Brasil impulsiona investimentos de R$ 140 bilhões até 2033.
O governo federal decidiu renovar a cota de importação sem cobrança de impostos para veículos elétricos desmontados e semimontados, medida que passa a valer a partir de 1º de julho de 2026. A decisão foi aprovada pelo Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex) e autoriza a entrada de até US$ 463 milhões em veículos nas modalidades CKD e SKD durante os próximos seis meses. A medida busca ampliar a oferta de carros eletrificados no mercado brasileiro, mas provocou forte reação da indústria automotiva nacional. Pelas regras aprovadas, os veículos desmontados (CKD) e semimontados (SKD), que chegam ao país para serem finalizados em fábricas instaladas no Brasil, poderão ser importados sem pagamento do imposto de importação até o limite estabelecido pela cota. Segundo o governo, o modelo segue o mesmo padrão que vigorou até janeiro deste ano. Após o esgotamento da cota, continuam valendo as alíquotas de 35% para SKD e 14% para CKD. Já os veículos totalmente montados importados não terão qualquer tipo de limitação por cotas. A medida pode contribuir para evitar reajustes nos preços dos carros elétricos comercializados no país, especialmente em um momento de expansão do setor e de aumento da demanda por veículos de baixa emissão de poluentes. A decisão gerou críticas da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), que representa as montadoras instaladas no Brasil. Em nota, a entidade afirmou que a renovação das cotas vai contra os interesses da indústria nacional, dos trabalhadores do setor e das empresas fornecedoras de autopeças. A associação argumenta que a medida altera uma política previamente definida pelo próprio governo e que havia sido construída após debates com o setor produtivo. Segundo a Anfavea, as cotas para importação de kits de veículos elétricos tinham sido encerradas em fevereiro deste ano e sua retomada cria insegurança para empresas que planejaram investimentos com base nas regras anteriores. Nos últimos anos, o mercado brasileiro de veículos eletrificados registrou forte crescimento. Dados citados pela indústria apontam que os emplacamentos de modelos eletrificados importados cresceram 214% entre 2023 e 2025, impulsionados principalmente pela chegada de novas marcas ao país. Paralelamente, fabricantes anunciaram cerca de R$ 140 bilhões em investimentos até 2033, destinados à modernização industrial, desenvolvimento de novas tecnologias, eletrificação da frota e fortalecimento da cadeia de fornecedores nacionais. Em 2025, os veículos eletrificados produzidos no Brasil já representavam 25,9% das vendas do segmento, enquanto o mercado abastecido por modelos fabricados nacionalmente cresceu 57% nos primeiros meses de 2026, na comparação com o mesmo período do ano anterior. O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) defendeu a renovação das cotas afirmando que a medida está alinhada às políticas de renovação da frota e de incentivo à mobilidade sustentável. Segundo o governo, a iniciativa contribui para a redução das emissões de dióxido de carbono (CO₂) e fortalece a transição para tecnologias menos poluentes. A decisão também ocorre em meio à instalação de novas operações industriais de fabricantes chinesas, como BYD e Geely, que já anunciaram projetos de produção no Brasil. A discussão evidencia o desafio de equilibrar a expansão do mercado de veículos elétricos com o fortalecimento da produção nacional, tema que segue no centro dos debates sobre o futuro da indústria automotiva brasileira.Como funcionará a nova cota
Montadoras criticam decisão
Expansão do mercado de eletrificados
Governo defende descarbonização