- Heineken cresce 4,8% nas vendas no terceiro trimestre, superando expectativas do mercado.
- Rafael Oliveira assume comando da Heineken em momento de desafios na América do Norte e Europa.
- Ações da Heineken subiram 2% após divulgação de resultados acima das projeções.
- Empresa aposta em mercados emergentes e reduz custos com corte de 5 mil a 6 mil postos de trabalho.
- Heineken mantém previsão de crescimento do lucro operacional orgânico em até 6% para o ano.
A Heineken registrou crescimento nas vendas acima das expectativas do mercado no terceiro trimestre, impulsionada pelo desempenho das marcas premium na Ásia e pela recuperação da demanda nas Américas. O resultado foi divulgado nesta quarta-feira (28) e marcou as primeiras semanas de Rafael Oliveira à frente da cervejaria holandesa, que passou a ser comandada por um executivo brasileiro.
Segundo a companhia, os volumes totais cresceram 4,8% em termos orgânicos no período, superando as projeções dos analistas. Já os volumes consolidados, que incluem as bebidas comercializadas por meio das subsidiárias da empresa, avançaram 3,9%.
O desempenho positivo foi impulsionado principalmente pelas marcas premium e pelo mercado vietnamita, onde a cervejaria se beneficiou da preferência dos consumidores por produtos de maior valor agregado.
Ações da Heineken registram alta
O resultado acima das expectativas foi bem recebido pelo mercado financeiro. As ações da Heineken chegaram a subir 2% no início do pregão em Amsterdã. Nos últimos 12 meses, os papéis acumularam valorização superior a 13%.
Em avaliação sobre os resultados, o analista de ações do Citi, Simon Hales, afirmou que a dimensão do desempenho acima das projeções deveria ser bem recebida pelos investidores.
Brasileiro assume comando em momento de desafios
Rafael Oliveira assumiu o cargo de CEO em um cenário de dificuldades para a cervejaria, especialmente nos Estados Unidos e na Europa, onde os consumidores têm reduzido o consumo de bebidas alcoólicas.
Brasileiro, ele se tornou o primeiro executivo de fora a comandar a empresa controlada pela família Heineken. Antes de chegar à cervejaria, Oliveira estava à frente da JDE Peet’s, fabricante de café, onde permaneceu por menos de dois anos.
Em suas primeiras declarações como CEO, o executivo afirmou que a companhia possui bases sólidas, mas precisa melhorar a capacidade de transformar essa estrutura em crescimento consistente.
Oliveira também destacou a necessidade de aprimorar a execução das estratégias, acelerar o ritmo de trabalho e fortalecer a cultura de desempenho e a responsabilização dentro da empresa.
Empresa aposta em mercados emergentes e reduz custos
Nos últimos anos, a Heineken apresentou recuperação mais lenta do que as concorrentes Anheuser-Busch InBev e Carlsberg após a queda nas vendas de cerveja registrada no período pós-pandemia.
Para impulsionar os resultados, a companhia tem apostado em mercados emergentes, como Índia e Nigéria, onde o aumento da renda contribui para ampliar o potencial de consumo.
Paralelamente, a cervejaria executa um plano de redução de custos que prevê o corte de aproximadamente 7% da força de trabalho global. A medida representa a eliminação de cerca de 5 mil a 6 mil postos de trabalho.
Apesar dos desafios, a Heineken manteve sua previsão de crescimento do lucro operacional orgânico para o ano, estimada em até 6%.