- O Brasil alcançou o patamar de muito alto desenvolvimento humano com índice de 0,805 em 2024.
- Desigualdades raciais persistem, com população negra tendo IDHM cerca de 10% inferior à branca.
- Educação foi o componente que mais evoluiu no período analisado, com aumento da proporção de brasileiros com ensino fundamental completo.
- Piauí e outros estados registraram maiores crescimentos do IDHM entre 2012 e 2024.
O Brasil passou a integrar, pela primeira vez, o grupo de localidades com muito alto desenvolvimento humano, segundo dados do Radar Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) divulgados nesta terça-feira pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento em parceria com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística e a Fundação João Pinheiro. O índice brasileiro subiu de 0,744 em 2012 para 0,805 em 2024, alcançando o patamar considerado de muito alto desenvolvimento humano. O IDHM varia de 0 a 1. Quanto mais próximo de 1, maior o desenvolvimento humano. O indicador considera três dimensões: longevidade, educação e renda. Apesar do avanço nacional, o estudo aponta que as desigualdades raciais continuam profundas. Enquanto o IDHM da população branca passou de 0,804 para 0,851 entre 2012 e 2024, o índice da população negra (pretos e pardos) subiu de 0,694 para 0,774 no mesmo período. Mesmo com crescimento proporcional maior entre negros, a população negra ainda apresenta IDHM cerca de 10% inferior ao da população branca. Na dimensão de renda, a população branca registrou renda domiciliar per capita de R$ 1.208,58 em 2024, enquanto a população negra atingiu R$ 673,65, pouco mais da metade. Já a expectativa de vida da população branca chegou a 79,8 anos, contra 75,73 anos da população negra. O componente de Educação foi o que mais evoluiu no período analisado. A proporção de brasileiros com 18 anos ou mais e ensino fundamental completo subiu de 59,53% para 71,38% entre 2012 e 2024. O Distrito Federal lidera o ranking nacional no indicador, com 83,38%, enquanto a Paraíba aparece com o menor percentual, de 59,14%. O levantamento também mostra desigualdade de gênero. O IDHM feminino passou de 0,736 para 0,798, permanecendo na faixa de alto desenvolvimento humano. Já o índice masculino avançou de 0,737 para 0,802, atingindo o grupo de muito alto desenvolvimento humano. Em 2024, o rendimento médio das mulheres foi de R$ 1.260,45, enquanto o dos homens chegou a R$ 1.604,30. Na longevidade, as mulheres seguem vivendo mais: a expectativa de vida feminina alcançou 79,88 anos, contra 73,3 anos entre os homens. Entre os estados brasileiros, Alagoas, Piauí e Rio Grande do Norte registraram os maiores crescimentos do IDHM no período analisado. Dos 27 entes federativos, 10 atingiram o nível de muito alto desenvolvimento humano, enquanto os demais permaneceram na faixa de alto desenvolvimento. O Distrito Federal apresentou o maior IDHM do país, com 0,866, seguido por São Paulo, com 0,838. Na outra ponta, Maranhão registrou 0,745, e Alagoas, 0,746. Os três componentes do IDHM — renda, educação e longevidade — sofreram impactos durante a pandemia da Covid-19. A expectativa de vida apresentou quedas em 2020 e 2021, enquanto o indicador de renda também recuou nesse período. Mesmo assim, os dados mostram retomada do crescimento nos anos seguintes, acompanhada da redução da vulnerabilidade à pobreza e da desigualdade de renda medida pelo Índice de Gini.Entenda a escala do IDHM
Desigualdade racial segue elevada
Diferença de renda entre brancos e negros permanece alta
Educação apresentou maior crescimento
Mulheres seguem abaixo dos homens no índice geral
Piauí está entre os estados que mais avançaram
Pandemia afetou indicadores sociais