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IDHM: Brasil entra para grupo de 'muito alto desenvolvimento humano' pela 1ª vez

Enquanto índice da população branca evoluiu de 0,804 para 0,851 em 13 anos, o da negra (pretos e pardos), saiu de 0,694 para 0,774 no mesmo intervalo de tempo

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  • O Brasil alcançou o patamar de muito alto desenvolvimento humano com índice de 0,805 em 2024.
  • Desigualdades raciais persistem, com população negra tendo IDHM cerca de 10% inferior à branca.
  • Educação foi o componente que mais evoluiu no período analisado, com aumento da proporção de brasileiros com ensino fundamental completo.
  • Piauí e outros estados registraram maiores crescimentos do IDHM entre 2012 e 2024.
Brasileiros na rua | Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
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O Brasil passou a integrar, pela primeira vez, o grupo de localidades com muito alto desenvolvimento humano, segundo dados do Radar Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) divulgados nesta terça-feira pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento em parceria com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística e a Fundação João Pinheiro.

O índice brasileiro subiu de 0,744 em 2012 para 0,805 em 2024, alcançando o patamar considerado de muito alto desenvolvimento humano.

Entenda a escala do IDHM

O IDHM varia de 0 a 1. Quanto mais próximo de 1, maior o desenvolvimento humano.

  • 0 a 0,499: muito baixo
  • 0,5 a 0,599: baixo
  • 0,6 a 0,699: médio
  • 0,7 a 0,799: alto
  • 0,8 a 1: muito alto

O indicador considera três dimensões: longevidade, educação e renda.

Desigualdade racial segue elevada

Apesar do avanço nacional, o estudo aponta que as desigualdades raciais continuam profundas. Enquanto o IDHM da população branca passou de 0,804 para 0,851 entre 2012 e 2024, o índice da população negra (pretos e pardos) subiu de 0,694 para 0,774 no mesmo período. Mesmo com crescimento proporcional maior entre negros, a população negra ainda apresenta IDHM cerca de 10% inferior ao da população branca.

Diferença de renda entre brancos e negros permanece alta

Na dimensão de renda, a população branca registrou renda domiciliar per capita de R$ 1.208,58 em 2024, enquanto a população negra atingiu R$ 673,65, pouco mais da metade. Já a expectativa de vida da população branca chegou a 79,8 anos, contra 75,73 anos da população negra.

Educação apresentou maior crescimento

O componente de Educação foi o que mais evoluiu no período analisado. A proporção de brasileiros com 18 anos ou mais e ensino fundamental completo subiu de 59,53% para 71,38% entre 2012 e 2024. O Distrito Federal lidera o ranking nacional no indicador, com 83,38%, enquanto a Paraíba aparece com o menor percentual, de 59,14%.

Mulheres seguem abaixo dos homens no índice geral

O levantamento também mostra desigualdade de gênero. O IDHM feminino passou de 0,736 para 0,798, permanecendo na faixa de alto desenvolvimento humano. Já o índice masculino avançou de 0,737 para 0,802, atingindo o grupo de muito alto desenvolvimento humano.

Em 2024, o rendimento médio das mulheres foi de R$ 1.260,45, enquanto o dos homens chegou a R$ 1.604,30. Na longevidade, as mulheres seguem vivendo mais: a expectativa de vida feminina alcançou 79,88 anos, contra 73,3 anos entre os homens.

Piauí está entre os estados que mais avançaram

Entre os estados brasileiros, Alagoas, Piauí e Rio Grande do Norte registraram os maiores crescimentos do IDHM no período analisado. Dos 27 entes federativos, 10 atingiram o nível de muito alto desenvolvimento humano, enquanto os demais permaneceram na faixa de alto desenvolvimento.

O Distrito Federal apresentou o maior IDHM do país, com 0,866, seguido por São Paulo, com 0,838. Na outra ponta, Maranhão registrou 0,745, e Alagoas, 0,746.

Pandemia afetou indicadores sociais

Os três componentes do IDHM — renda, educação e longevidade — sofreram impactos durante a pandemia da Covid-19. A expectativa de vida apresentou quedas em 2020 e 2021, enquanto o indicador de renda também recuou nesse período. Mesmo assim, os dados mostram retomada do crescimento nos anos seguintes, acompanhada da redução da vulnerabilidade à pobreza e da desigualdade de renda medida pelo Índice de Gini.

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