- A inflação na Argentina caiu para 2,6% em abril, segundo o IPC.
- Transporte e educação lideram altas com 4,4% e 4,2%, respectivamente.
- O governo de Javier Milei enfrenta desafios para controlar a inflação.
- A moeda argentina perdeu valor em 40% em 2025, aumentando a pressão inflacionária.
A inflação na Argentina desacelerou para 2,6% em abril, segundo dados do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) divulgados nesta quinta-feira (14) pelo Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec).
O resultado representa uma desaceleração relevante em relação aos 3,4% registrados em março. No acumulado de 12 meses até abril, a inflação ficou em 32,4%, ligeiramente abaixo dos 32,6% observados no mês anterior.
Apesar da melhora no indicador mensal, os dados mostram que o governo do presidente Javier Milei ainda enfrenta dificuldades para consolidar uma trajetória sustentada de desaceleração dos preços.
Transporte e educação lideraram altas
Entre os grupos com maior avanço em abril, destaque para transporte, com alta de 4,4%, e educação, que subiu 4,2%.
Na sequência aparecem comunicação (4,1%), habitação, água, eletricidade, gás e outros combustíveis (3,5%), vestuário e calçados (3,2%) e equipamentos e manutenção do lar (2,9%).
Os números da série histórica do Indec apontam que a inflação mensal perdeu força ao longo de 2024, primeiro ano da gestão Milei, após os picos registrados no início do mandato.
Governo Milei ainda enfrenta dificuldades
Em 2025, porém, a inflação passou a oscilar majoritariamente entre 2% e 3% ao mês, com poucas leituras abaixo desse patamar. A partir de maio, o cenário voltou a mostrar sinais de deterioração, com aceleração gradual dos índices e maior pressão sobre as expectativas do mercado.
O contexto evidenciou os desafios do governo argentino para reduzir a inflação de forma consistente, especialmente diante das turbulências políticas e cambiais enfrentadas ao longo do ano.
No segundo semestre de 2025, Milei buscou apoio político do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em meio à instabilidade nos mercados financeiros e à pressão sobre o câmbio argentino.
Ajuste econômico mudou cenário do país
Desde que assumiu a presidência, em dezembro de 2023, Javier Milei implementou um amplo programa de ajuste econômico em meio a uma recessão já existente no país.
O governo interrompeu obras federais, reduziu repasses para províncias e promoveu cortes de subsídios em áreas como água, energia elétrica, gás, transporte público e outros serviços essenciais. As medidas provocaram forte impacto nos preços ao consumidor.
Ao mesmo tempo, a pobreza avançou significativamente no primeiro semestre de 2024, atingindo 52,9% da população. Já no segundo semestre de 2025, o índice caiu para 28,2%, no menor patamar em sete anos.
Enquanto isso, o governo passou a registrar sucessivos superávits fiscais e recuperou parte da confiança de investidores.
Parlamentares da oposição discutem com o presidente da Câmara dos Deputados da Argentina | Foto: Reprodução/ REUTERS/Alessia Maccioni
Crise política abalou mercados
No terceiro trimestre de 2025, Milei passou a enfrentar uma crise política após o vazamento de um áudio envolvendo Karina Milei, irmã do presidente e secretária-geral da Presidência.
No material, divulgado por um ex-aliado político do governo, Karina foi acusada de corrupção. O caso passou a ser investigado pela Justiça argentina.
Em setembro, o presidente sofreu uma derrota expressiva nas eleições da província de Buenos Aires, principal colégio eleitoral do país, responsável por quase 40% do eleitorado nacional.
A reação dos mercados foi imediata. Títulos públicos, ações de empresas argentinas e o peso argentino registraram forte queda após o resultado eleitoral.
Com isso, a moeda argentina atingiu naquele momento o menor valor nominal da história frente ao dólar, chegando a 1.423 pesos por dólar. Ao longo de 2025, a moeda acumulou desvalorização próxima de 40%, encerrando o período cotada a 1.451,50 por dólar, fator que ampliou a pressão inflacionária no país.
Em meio ao cenário econômico e político turbulento, pesquisas recentes apontaram aumento da desaprovação ao governo Milei. Segundo levantamento da consultoria Zuban Córdoba, a rejeição ao presidente alcançou 64,5%.