O concurso especial da Mega da Virada reúne fatores matemáticos que tornam extremamente improvável a existência de um único vencedor.
Desde a criação da Mega da Virada, em 2008, nenhum apostador levou o prêmio principal sozinho. Ao longo de mais de 15 anos, o resultado se repete sem exceções. A explicação para isso não está em azar coletivo nem em qualquer peculiaridade do sorteio, mas na matemática que rege o concurso especial de fim de ano.
Do ponto de vista individual, a Mega da Virada funciona exatamente como um concurso regular da Mega-Sena. Em uma aposta simples, o jogador escolhe seis números entre 60 possíveis, o que gera 50.063.860 combinações diferentes. A chance de acertar as seis dezenas é de uma em cerca de 50 milhões, o equivalente a aproximadamente 0,000002%.
O impacto do volume de apostas
A grande diferença da Mega da Virada está na escala. Enquanto concursos regulares da Mega-Sena costumam registrar em torno de 20 milhões de apostas, o sorteio de fim de ano movimenta um volume muito superior.
Nas edições mais recentes, dados da Caixa Econômica Federal indicam que o total de apostas equivalentes variou entre 500 milhões e 600 milhões de jogos.
Com esse número expressivo, a quantidade de apostas ultrapassa em muito o total de combinações possíveis. Na prática, isso significa que cada sequência de seis números é escolhida, em média, de 10 a 12 vezes. Quando uma combinação é sorteada, a tendência estatística é que ela tenha sido registrada por mais de um jogador, o que leva automaticamente à divisão do prêmio.
Esse cenário praticamente elimina a chance de não haver ganhadores, mas também dificulta que apenas uma pessoa acerte a sena.
Em uma edição com cerca de 550 milhões de apostas, a probabilidade de ninguém acertar as seis dezenas cai para algo próximo de 0,000016%, o que equivale a uma chance em cerca de 60 mil. Em outras palavras, a matemática praticamente garante que haverá vencedores.
Por que o prêmio costuma ser dividido
Já a possibilidade de apenas um bilhete acertar sozinho as seis dezenas permanece limitada. Considerando o volume de jogos e a repetição das combinações, estimativas apontam que a chance de um único ganhador levar todo o prêmio da Mega da Virada fica entre 3% e 5%.
É um percentual maior do que a chance de o concurso não ter vencedores, mas ainda bem menor do que a probabilidade de o prêmio ser dividido entre dois ou mais apostadores.
Nos concursos regulares da Mega-Sena, o cenário é oposto. Com um número bem menor de apostas, a chance de ninguém acertar a sena pode chegar a cerca de 67%, enquanto a probabilidade de haver ao menos um ganhador gira em torno de 33%.
Já na Mega da Virada, o enorme volume de jogos praticamente elimina o risco de acumulação e torna a divisão do prêmio o desfecho mais comum.
Outro fator determinante é a própria regra do concurso especial. Diferentemente dos demais sorteios, a Mega da Virada não acumula. Caso ninguém acerte as seis dezenas, o prêmio é automaticamente repartido entre os apostadores que acertarem a quina e, se necessário, entre as faixas seguintes.