SEÇÕES

O que pode mudar na economia com o acordo UE-Mercosul

Tratado deve reduzir tarifas, ampliar importações e exportações e impactar preços no Brasil

Acordo UE-MERCOSUL | Foto: Reuters
Siga-nos no

Após mais de 25 anos de negociações, o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia avança para a fase final e deve provocar mudanças no comércio e no consumo no Brasil. A expectativa é de redução gradual de tarifas, maior circulação de produtos entre os blocos e impactos que vão do preço de vinhos e medicamentos ao custo de máquinas usadas pela indústria e pelo agronegócio.

Mais produtos europeus no mercado brasileiro

Com a diminuição das barreiras alfandegárias, itens tradicionais da União Europeia tendem a ganhar espaço nas prateleiras brasileiras. Segundo a professora de Relações Internacionais da Unifesp, Regiane Bressan, a integração favorece principalmente o consumidor final.

 “A integração em um acordo como esse tende a favorecer sobretudo os consumidores finais, que passam a ter acesso a produtos mais baratos. Isso ocorre dos dois lados”, afirma.

Entre os produtos que podem ter preços reduzidos ao longo do tempo estão vinhos, queijos e outros lácteos, além de azeite, chocolate e bebidas destiladas. Rodrigo Provazzi, CEO da Provazzi Consultoria, explica que a eliminação gradual das tarifas é o principal fator para essa queda. 

“A expectativa é de redução de preços no médio e no longo prazo”, diz.

Impacto em veículos, remédios e máquinas

Automóveis importados da Europa, hoje taxados em até 35%, devem ter essa alíquota zerada em um prazo de até 15 anos, o que pode baratear os modelos ao consumidor. Já medicamentos e produtos farmacêuticos seguem como os principais itens importados da UE, representando mais de 8% do total, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.

O acordo também tende a reduzir custos de produção no Brasil. Para Leonardo Munhoz, pesquisador da FGV, a entrada de tecnologias europeias com menos impostos deve beneficiar o campo e a indústria. 

“Máquinas, equipamentos, fertilizantes, drones e sistemas de agricultura de precisão importados da Europa devem ter custos menores para os produtores”, afirma.

Exportações e geração de empregos

Do lado das exportações, o tratado amplia o acesso do Brasil a um mercado de cerca de 450 milhões de consumidores. Produtos como calçados, frutas e outros itens do agronegócio devem ganhar competitividade. As vendas brasileiras para a UE somaram US$ 49,8 bilhões no último ano, e a Apex estima que o acordo pode gerar R$ 7 bilhões adicionais em exportações.

Para Regiane Bressan, vender produtos com maior valor agregado à Europa pode ter reflexos positivos no emprego. 

“O maior valor agregado envolvido nessas trocas muda a dinâmica da indústria local”, avalia.

Preços internos devem subir?

Apesar do aumento das exportações, especialistas avaliam que o impacto sobre os preços internos deve ser limitado. Provazzi observa que, mesmo com maior demanda externa, os efeitos inflacionários tendem a ser pequenos. 

“Os efeitos macroeconômicos sobre a inflação são pequenos e não devem ser relevantes no curto prazo”, afirma.

Munhoz ressalta que os benefícios não serão automáticos nem iguais para todos os setores, mas tendem a se espalhar pela cadeia produtiva. 

“Esse efeito será em cascata: o grande exporta diretamente, mas o pequeno depende de uma trader. Assim, todos os elos acabam sentindo os benefícios”, explica.

Com um mercado conjunto que representa cerca de 25% do PIB global, o acordo UE-Mercosul pode redefinir fluxos comerciais e influenciar tanto o bolso do consumidor quanto a estrutura produtiva brasileira nos próximos anos.

Tópicos
Carregue mais
Veja Também