- A Casas Bahia protocolou pedido de recuperação judicial após piora nas condições financeiras.
- Decisão foi motivada por juros elevados, restrição de crédito e aumento dos custos financeiros.
- Empresa afirma manter operações normais e priorizar atendimento aos clientes.
- Pedido envolve outras empresas do grupo e inclui reestruturação de dívidas.
- Companhia também confirmou fechamento de 298 lojas, gerando preocupação dos sindicatos.
A Casas Bahia protocolou um pedido de recuperação judicial no domingo (16), após uma piora nas condições financeiras da companhia. Segundo a empresa, a decisão foi motivada principalmente pelo ambiente de juros elevados, restrição de crédito, aumento dos custos financeiros e pressão sobre o consumo e o capital de giro. Mesmo com o processo, a varejista afirma que pretende manter normalmente as operações nos canais já existentes e priorizar o atendimento aos clientes.
Por que a empresa tomou a decisão?
Em fato relevante divulgado no domingo, a Casas Bahia afirmou que o cenário de liquidez restrita tornou necessário o pedido de recuperação judicial como parte do processo de reorganização das finanças.
Segundo a companhia, a medida busca permitir uma reestruturação das dívidas e garantir a continuidade das atividades enquanto são discutidas soluções para o pagamento das obrigações.
“Nesse cenário de liquidez restrita, o ajuizamento do pedido de recuperação judicial mostra-se necessário e configura mais um passo na direção da reestruturação financeira da Companhia, buscando preservar a continuidade das atividades empresariais, proteger a geração de valor futuro e viabilizar uma solução ordenada para o equacionamento de suas obrigações”.
A empresa também informou que o pedido não deve interromper as operações. As lojas e os demais canais de venda devem continuar funcionando, com prioridade para o atendimento aos consumidores.
Prejuízo de R$ 10,1 bilhões
O pedido ocorreu depois de a companhia divulgar um prejuízo líquido de R$ 10,1 bilhões no período entre maio e junho. O resultado foi cerca de 18 vezes maior que o registrado no mesmo período do ano anterior.
Antes da divulgação dos números, a empresa havia adiado por duas vezes a publicação dos resultados financeiros. Inicialmente prevista para 12 de agosto, a divulgação foi transferida para o dia 14 e, posteriormente, voltou a ser adiada.
No balanço divulgado no domingo, a companhia também já havia sinalizado a possibilidade de precisar recorrer à recuperação judicial diante da situação financeira.
Pedido envolve outras empresas
A recuperação judicial não abrange apenas a Casas Bahia. O pedido apresentado à Justiça também inclui outras empresas ligadas ao grupo, entre elas:
- ASAP Log - Logística e Soluções Ltda;
- ASAP Log Ltda;
- CNT Soluções em Negócios Digitais e Logística Ltda;
- Cntlog Express Logística e Transporte Ltda;
- Globex Administração e Serviços Ltda;
- Cnova Comércio Eletrônico S.A.;
- Integra Soluções para Varejo Digital Ltda;
- Casas Bahia Tecnologia Ltda;
- Indústria de Móveis Bartira Ltda.
Empresa já havia recorrido à recuperação extrajudicial
Esta não é a primeira vez que a varejista recorre a um mecanismo de reestruturação de dívidas.
Em abril de 2024, a Casas Bahia havia apresentado um pedido de recuperação extrajudicial envolvendo aproximadamente R$ 4,1 bilhões em dívidas.
Dois meses depois, o Juízo da 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo homologou o plano apresentado pela companhia.
A recuperação judicial anunciada agora é um processo diferente e envolve uma nova etapa de reorganização das obrigações da empresa.
Fechamento de 298 lojas
O anúncio também ocorre em meio à confirmação de que a Casas Bahia deverá fechar 298 lojas. A informação, que havia sido divulgada inicialmente pela imprensa, apareceu nos documentos apresentados pela companhia.
O possível fechamento das unidades provocou reação do Secor (Sindicato dos Empregados no Comércio de Osasco e Região), que manifestou preocupação com os impactos para os trabalhadores.
Em nota, o sindicato afirmou que pretende adotar medidas para garantir os direitos dos funcionários afetados.
“Os comerciários não podem arcar com prejuízos decorrentes de decisões empresariais tomadas sem o devido diálogo e transparência”, afirmou o presidente do Secor, Luciano Pereira Leite.
Segundo o sindicato, funcionários teriam sido surpreendidos pela informação e aguardam detalhes sobre o andamento do processo, incluindo orientações relacionadas ao seguro-desemprego e aos demais direitos trabalhistas previstos na legislação e na convenção coletiva da categoria.