A bolsa de valores brasileira atingiu um novo recorde histórico nesta semana ao ultrapassar, pela primeira vez, o patamar de 183 mil pontos. O avanço ocorre em um contexto de forte entrada de capital estrangeiro e queda expressiva do dólar, impulsionados por uma recomposição das carteiras globais que tem favorecido mercados emergentes.
O movimento reflete uma busca maior por ativos fora dos Estados Unidos, em meio ao enfraquecimento da moeda americana e à mudança no apetite ao risco dos investidores internacionais.
Políticas de Trump enfraquecem dólar e beneficiam emergentes
O enfraquecimento do dólar frente às principais moedas globais, incluindo as de países emergentes, tem sido atribuído, em grande parte, às políticas e à instabilidade geradas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Segundo a comentarista econômica Rita Mundim, o movimento indica uma mudança no fluxo financeiro global.
“O que está acontecendo é uma perda de hegemonia americana em relação a ser o centro financeiro do planeta, pelo medo e pela instabilidade provocada por Donald Trump em nível local nos Estados Unidos e em nível global”, afirmou.
Os números reforçam essa leitura. Enquanto o índice americano S&P 500 acumulou alta de apenas 1%, bolsas de mercados emergentes registraram valorizações expressivas em dólar: Colômbia (24%), Brasil (15%), Chile (14%) e México (10%).
No Brasil, o volume médio diário de negociações na B3 também avançou de patamares entre R$ 15 bilhões e R$ 20 bilhões para níveis consistentemente acima de R$ 30 bilhões a R$ 35 bilhões, evidenciando o aumento do interesse estrangeiro.
Perspectivas
Com a expectativa de que o Banco Central inicie um ciclo de cortes de juros em março, mantendo a Selic ainda em patamares elevados, próximos a dois dígitos até o fim do ano, o Brasil segue atrativo para investidores internacionais.
O fluxo de recursos tem se concentrado principalmente no chamado “tripé” do mercado brasileiro: Petrobras, Vale e grandes bancos.
Apesar do momento positivo, analistas alertam para os riscos fiscais, especialmente em um ano eleitoral.
“Nossos problemas estão aí. O Banco Central deve apontá-los no comunicado, na ata. Estamos em ano eleitoral e não é perfil desse governo fazer política fiscal restritiva”, ponderou Mundim.
A combinação entre política monetária e fiscal será determinante para que a inflação convirja para o centro da meta de 3%. Para os próximos meses, a avaliação do mercado é de que, embora o cenário siga favorável, a economia brasileira pode enfrentar maior volatilidade, influenciada pelas eleições municipais e pela divulgação de novos dados fiscais.
Com informações da CNN Brasil