- Omoda & Jaecoo adapta motores híbridos para atender ao combustível brasileiro, que contém 30% de etanol.
- Marca chinesa enfrenta desafios técnicos com o uso de etanol, exigindo modificações em componentes e sistemas.
- Empresa substitui injeção direta por injeção indireta para reduzir custos e riscos de detonação com etanol.
- Adaptações incluem injetores específicos, ajustes eletrônicos e sistemas de aquecimento para melhor desempenho.
- Brasil influencia desenvolvimento global de motores devido à complexidade dos combustíveis flex.
A Omoda & Jaecoo, marca do grupo Chery, confirmou que fará mudanças nos motores de seus veículos híbridos destinados ao Brasil devido às características dos combustíveis vendidos no país. A adaptação afetará modelos como Omoda 4, Omoda 5, Jaecoo 5 e Jaecoo 7, que receberão soluções específicas para lidar com o etanol e com a gasolina brasileira, que atualmente contém 30% de etanol anidro (E30).
Combustível brasileiro desafia montadoras
O mercado brasileiro é considerado um dos mais complexos do mundo para o desenvolvimento de motores. Além da ampla utilização do etanol, a própria gasolina comercializada nos postos possui uma composição diferente da encontrada em países da Europa, Ásia e América do Norte.
Segundo o diretor e chefe de powertrain da Chery Internacional, Dr. Yunfei Luan, os combustíveis brasileiros exigem adaptações técnicas específicas. “Para nós, o flex fuel é mais desafiador. Mas estamos trabalhando nisso”, afirmou o executivo durante visita de jornalistas ao centro de pesquisa e desenvolvimento da montadora em Wuhu, na China.
Etanol traz vantagens e exige adaptações
De acordo com o executivo, o etanol possui benefícios importantes para o funcionamento dos motores. “O álcool funciona melhor com taxa de compressão alta. É por isso que carros de corrida às vezes usam álcool. O efeito de resfriamento do álcool, quando ele evapora, absorve calor. Isso torna o motor menos propenso a ter problema de detonação”, explicou.
Apesar das vantagens, o combustível também demanda modificações em componentes e sistemas eletrônicos. O etanol apresenta características mais corrosivas, absorve mais umidade e possui comportamento diferente durante partidas a frio, exigindo tecnologias específicas para garantir desempenho e durabilidade.
Marca vai abandonar injeção direta nos híbridos flex
Uma das principais mudanças anunciadas pela Omoda & Jaecoo será a substituição da injeção direta pela injeção indireta nos futuros motores híbridos flex produzidos para o Brasil.
Atualmente, modelos da marca utilizam motores turbo com injeção direta, mas a tecnologia deixará de ser empregada nos novos conjuntos destinados ao mercado nacional. “Este novo propulsor tem turbo, mas não tem injeção direta. Então reduzimos um pouco o custo”, afirmou o diretor da Chery.
Segundo ele, a mudança também contribui para reduzir riscos relacionados ao uso do etanol. “Sem injeção direta neste aqui, mantemos o custo de produção mais baixo. E, especialmente se estamos trabalhando com álcool, a probabilidade de detonação é menor”, acrescentou.
Mudanças vão além do sistema de injeção
As adaptações não se limitam ao sistema de alimentação do motor. A fabricante informou que os futuros modelos flex receberão injetores específicos, ajustes eletrônicos e sistemas de aquecimento para facilitar a partida a frio.
“Você tem um injetor diferente e precisa garantir que o sistema de combustível consiga se adaptar a 100% álcool. E existe um sistema de aquecimento, porque o álcool, na partida a frio, evapora um pouco mais devagar que a gasolina”, explicou Dr. Yunfei Luan.
Brasil influencia desenvolvimento global
As mudanças planejadas pela Omoda & Jaecoo refletem uma tendência observada entre diversas montadoras que atuam no país. O mercado brasileiro tem influenciado diretamente projetos globais devido à necessidade de desenvolver motores compatíveis com combustíveis de alta concentração de etanol.
Com a expansão dos veículos eletrificados e híbridos, as fabricantes têm investido em engenharia local e em tecnologias específicas para o Brasil, considerado um dos principais laboratórios automotivos do mundo quando o assunto é combustível flex.