Após a empresa Solatio desistir da ação judicial que questionava as licenças ambientais do projeto de hidrogênio verde no Piauí, o empreendimento ganhou uma nova direção. Em nota divulgada nesta quinta-feira (05), a Investe Piauí esclareceu que o projeto não foi encerrado e segue em processo de reformulação, mesmo após a paralisação das obras determinada pela Justiça Federal em ação movida pelo Ministério Público Federal (MPF). A mudança de rota abre espaço para a instalação de um Data Center Verde, iniciativa considerada estratégica e menos intensiva em consumo energético.
PROJETO EM REAVALIAÇÃO
Segundo a Investe Piauí, a Solatio mantém sua estrutura instalada na Zona de Processamento de Exportação (ZPE) de Parnaíba e continua com equipe técnica dedicada à revisão dos projetos. O entrave principal permanece relacionado à demanda energética necessária para o complexo de hidrogênio verde, que depende da liberação da conexão elétrica total junto ao Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). Sobre esse ponto, a agência estadual destacou:
“A Investe Piauí informa que o projeto da empresa Solatio encontra-se em processo de reformulação. A iniciativa aguarda a obtenção da conexão elétrica total solicitada ao Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) para viabilização do projeto de Hidrogênio Verde, etapa técnica essencial diante da elevada demanda energética exigida por empreendimentos dessa natureza”.
ALTERNATIVA: DATA CENTER VERDE
Enquanto o pedido segue em análise, a empresa decidiu concentrar esforços, no curto prazo, na implantação de um Data Center Verde, modelo que alia infraestrutura digital e sustentabilidade ambiental. Diferentemente de centros de dados tradicionais, esse tipo de instalação é projetado para reduzir o consumo de energia, minimizar emissões de carbono e otimizar o uso de recursos naturais, o que o torna mais compatível com a atual capacidade energética disponível.
O QUE É UM DATA CENTER VERDE
Um centro de dados sustentável utiliza tecnologias de eficiência energética, equipamentos de maior durabilidade e práticas de reutilização e reciclagem de hardware. Além disso, prioriza o uso de fontes renováveis, como energia solar e eólica, e estratégias inteligentes de gerenciamento de energia, com o objetivo de reduzir custos operacionais e o impacto ambiental.
EFICIÊNCIA ENERGÉTICA
Entre os principais indicadores utilizados nesse tipo de projeto estão métricas como o PUE (Power Usage Effectiveness), que mede a relação entre a energia total consumida e aquela efetivamente usada pelos equipamentos de TI. Quanto mais próximo de 1 for o índice, maior é a eficiência do data center. Já o CUE (Carbon Usage Effectiveness) avalia o nível de emissões de carbono associadas à operação da estrutura.
TECNOLOGIAS E SUSTENTABILIDADE
Os data centers verdes adotam soluções como sistemas de refrigeração eficientes, incluindo resfriamento líquido e controle de corredores quentes e frios, além do aproveitamento do calor residual para outros usos energéticos. A virtualização de servidores e a computação responsável também reduzem a necessidade de equipamentos físicos, diminuindo o consumo de energia e o desperdício.
ENERGIA LIMPA E CERTIFICAÇÕES
Outra característica central desses empreendimentos é a integração com matrizes energéticas renováveis e a busca por certificações ambientais reconhecidas internacionalmente, como LEED e Energy Star, além da adoção de boas práticas defendidas por entidades como a The Green Grid, referência global em eficiência energética para data centers.
IMPACTO PARA O PIAUÍ
A aposta no Data Center Verde reforça a estratégia do Piauí de se posicionar como polo de inovação tecnológica e sustentabilidade, aproveitando seu potencial em energias renováveis. Mesmo com os desafios enfrentados pelo projeto de hidrogênio verde, a reformulação sinaliza que o estado segue no radar de grandes investimentos internacionais, agora com foco em uma infraestrutura digital alinhada às exigências ambientais e energéticas do futuro.