- CNI estima que 4,1 mil produtos brasileiros podem ser afetados por tarifas norte-americanas.
- Exportações brasileiras envolvidas somam US$ 14,9 bilhões, equivalente a R$ 77,2 bilhões.
- Brasil e EUA seguem negociações para evitar tarifas, com prazo final em 15 de julho.
- Governo brasileiro rejeita acusações do USTR e prioriza negociações técnicas e diplomáticas.
- Interna avaliação considera recomendação do USTR como política, não técnica, e prevê redução de tarifas.
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou nesta segunda-feira (6) uma estimativa segundo a qual 4,1 mil produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos podem ser afetados caso o governo de Donald Trump implemente o tarifaço proposto pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês).
Segundo a entidade, esses produtos representam US$ 14,9 bilhões em exportações brasileiras, equivalentes a R$ 77,2 bilhões, na cotação atual.
A estimativa foi divulgada no mesmo dia em que começaram, em Washington, as audiências públicas sobre a proposta de novas tarifas. Enquanto isso, Brasil e Estados Unidos seguem negociando um acordo, cujo prazo termina em 15 de julho.
O USTR acusa o Brasil de adotar práticas comerciais consideradas desleais em áreas como PIX, etanol, desmatamento e propriedade intelectual. O governo brasileiro rejeitou as alegações e apresentou, na semana passada, um documento contestando formalmente os argumentos da investigação comercial.
Entre os produtos que podem ser atingidos pelo tarifaço estão:
- ferro-gusa não ligado;
- açúcar bruto;
- álcool etílico;
- molduras de madeira;
- hidróxido de alumínio.
Em nota, o presidente da CNI, Ricardo Alban, afirmou que a medida não encontra justificativa.
A imposição de uma tarifa adicional de 25% não se justifica sob o aspecto jurídico, econômico e estratégico. A CNI defende que o diálogo e a cooperação bilateral são o caminho mais adequado para preservar uma relação sólida entre os dois países.
Na avaliação da entidade, a adoção de uma tarifa adicional prejudicaria a relação comercial entre Brasil e Estados Unidos e afetaria milhares de produtos brasileiros exportados ao mercado americano.
Donald Trump discursa em evento de 250 anos de independência dos EUA, em Washington D.C. | Foto: REUTERS/Jonathan Ernst
Governo aposta em negociações diretas
O governo brasileiro decidiu não se inscrever para falar nas audiências públicas realizadas nesta segunda-feira (6), em Washington. Apesar disso, representantes da embaixada brasileira acompanham as discussões como observadores.
Segundo o Ministério das Relações Exteriores, o entendimento é de que as audiências têm caráter consultivo e não são o ambiente mais adequado para negociações. Por isso, o governo mantém a estratégia de priorizar as conversas técnicas e diplomáticas em andamento.
Na semana passada, o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Marcio Elias Rosa, reuniu-se com o representante do USTR, Jamieson Greer. Após o encontro, informou que novas rodadas de negociação devem ocorrer nos próximos dias.
Durante essas conversas, o governo brasileiro apresentou uma proposta de encaminhamento para os seis pontos questionados pelos Estados Unidos, mas ainda aguarda uma resposta formal.
Prazo para acordo
O prazo para que os dois países cheguem a um acordo termina em 15 de julho. Até lá, o governo brasileiro afirma trabalhar para demonstrar que as críticas americanas não se sustentam, apresentando dados sobre a relação comercial bilateral e ações adotadas em temas como combate ao desmatamento.
Nos bastidores, integrantes do Palácio do Planalto e do Itamaraty avaliam que a recomendação do USTR tem motivação política e desconsidera os argumentos técnicos apresentados pelo Brasil ao longo da negociação.
A avaliação interna é de que uma reversão completa da proposta de tarifa é improvável, mas ainda há expectativa por uma eventual redução da alíquota ou pela criação de exceções para determinados produtos.