- UE suspenderá importação de carne bovina, aves, ovos e mel do Brasil a partir de 3 de julho.
- Medida ocorre após Brasil ser removido da lista de países que atendem às normas europeias sobre antimicrobianos.
- Auditoria internacional pode acelerar retomada das exportações de aves e mel, caso resultado seja positivo.
- Carne bovina enfrentará processo mais longo para voltar ao mercado europeu, dependendo da conformidade.
- Suspensão afeta exportações brasileiras, que movimentaram mais de 92 mil toneladas de carne bovina em 2025.
A União Europeia vai suspender temporariamente, a partir desta quinta-feira (3), a importação de carne bovina, carne de aves, ovos e mel produzidos no Brasil. A medida envolve os 27 países do bloco e ocorre após o Brasil ser retirado, em maio, da lista de países que atendem às normas europeias sobre o uso de antimicrobianos na produção animal.
O período de suspensão poderá variar conforme o setor. A expectativa é de que as exportações de aves e mel sejam retomadas mais rapidamente, caso o Brasil seja aprovado em uma auditoria que está em andamento. Já a carne bovina pode enfrentar um processo mais longo para voltar ao mercado europeu.
As regras da União Europeia proíbem o uso de antimicrobianos como estimulantes de crescimento ou para aumentar a produtividade dos animais. Também não permitem o uso, em animais destinados à produção, de medicamentos considerados restritos à medicina humana.
As exigências fazem parte da estratégia europeia de combate à resistência antimicrobiana, considerada uma ameaça à saúde pública mundial. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), infecções provocadas por bactérias e outros microrganismos resistentes a medicamentos estão associadas a mais de 1 milhão de mortes por ano no mundo.
Auditoria pode acelerar retomada
Uma auditoria internacional voltada às cadeias de aves e mel deve ser concluída nesta sexta-feira (4). Caso o resultado seja considerado satisfatório e receba o aval dos países-membros da União Europeia, as exportações desses dois segmentos poderão ser retomadas nas próximas semanas.
Para a carne bovina, a regularização tende a ser mais demorada. Segundo a Comissão Europeia, o prazo para comprovação de conformidade depende das características do ciclo de produção e do manejo de cada espécie.
Apesar da suspensão, a Comissão Europeia afirmou que mantém o diálogo com o governo brasileiro e considera o Brasil um parceiro relevante. As negociações continuam para adequar as cadeias produtivas às exigências sanitárias do bloco.
Impacto nas exportações
A suspensão atinge um mercado importante para o agronegócio brasileiro. Em 2025, o Brasil exportou mais de 92 mil toneladas de carne bovina para a União Europeia, com faturamento superior a € 713 milhões, o equivalente a aproximadamente R$ 4,3 bilhões.
Naquele ano, o Brasil foi o segundo maior fornecedor de carne bovina para o mercado europeu.
Ainda não há uma data definida para o fim das restrições. A retomada completa das exportações dependerá da comprovação, por parte das autoridades brasileiras, de que cada cadeia produtiva atende às normas sanitárias exigidas pelo bloco.
Relação com o Mercosul
A decisão ocorre meses após a assinatura do acordo de livre comércio entre União Europeia e Mercosul, firmada em janeiro e em vigor desde maio.
O acordo vem sendo questionado por agricultores europeus e pelo governo francês, que defendem maior rigor na fiscalização dos padrões sanitários e ambientais dos produtos importados dos países do Mercosul.