- Enem 2026 aborda temas como terras raras, inteligência artificial e ECA Digital no primeiro dia de prova.
- Formato testlet é ampliado para Ciências Humanas, com base em textos e gráficos para múltiplas questões.
- Questões discutem racismo estrutural, inclusão social e desigualdades enfrentadas por minorias e pessoas com deficiência.
- Lei Rouanet e o milagre econômico da ditadura militar são temas abordados em provas de Linguagens e Ciências Humanas.
O primeiro dia do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2026 apresentou questões sobre temas contemporâneos, como terras raras, inteligência artificial, Estatuto Digital da Criança e do Adolescente (ECA Digital), racismo e inclusão. A prova também marcou a ampliação do formato conhecido como testlet, em que um único texto ou situação-problema serve de base para várias questões.
O exame manteve a característica de relacionar os conteúdos à realidade social, exigindo dos candidatos capacidade crítica e interpretação de diferentes gêneros textuais.
Terras raras e inteligência artificial aparecem na prova
Entre os assuntos abordados, uma questão sobre terras raras apresentou um gráfico comparando os países que possuem esses minerais e exigiu dos candidatos uma interpretação sobre o contexto global. O tema também tem sido discutido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A prova trouxe ainda uma questão sobre o Estatuto Digital da Criança e do Adolescente (ECA Digital), com a apresentação do artigo 4º da legislação. Os estudantes precisaram interpretar as disposições da norma e identificar seus objetivos.
A inteligência artificial também apareceu em duas questões. Uma delas abordou ferramentas utilizadas no combate ao plágio em instituições acadêmicas, enquanto outra tratou dos impactos ambientais dos centros de processamento de dados (data centers), especialmente em relação ao consumo de água.
Além disso, uma charge criticou o uso de dados para treinar sistemas de inteligência artificial. Outra questão relacionada à tecnologia discutiu o excesso de uso de telas por jovens.
Formato testlet é ampliado para Ciências Humanas
Uma das características da prova deste ano foi a presença do formato testlet, conhecido por apresentar um texto extenso, gráfico ou situação-problema que serve de referência para várias questões consecutivas.
A metodologia estreou na prova de Linguagens do Enem 2025 e, nesta edição, também apareceu em Ciências Humanas, conforme a proposta de ampliação anunciada anteriormente pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).
Um dos textos utilizados foi de autoria de Lilia Schwarcz, com 42 linhas sobre museus, que serviu de base para quatro questões de Ciências Humanas. A prova também apresentou cinco questões elaboradas a partir de um trecho da obra Menino de Engenho, do escritor José Lins do Rego.
Questões abordam minorias, racismo e inclusão
Os temas relacionados às minorias e à inclusão social também tiveram espaço no primeiro dia do exame. Uma das questões tratou da participação de pessoas com deficiência na dança contemporânea, propondo uma reflexão sobre os padrões tradicionalmente associados aos bailarinos.
Outra abordou a capacidade de resistência dos povos ciganos diante das dificuldades e dos preconceitos enfrentados na sociedade.
O racismo estrutural também apareceu em diferentes questões, com discussões sobre a permanência da discriminação racial nas relações sociais brasileiras e as desigualdades enfrentadas pela população negra, incluindo diferenças de rendimento entre mulheres negras e outros grupos.
Já o capacitismo foi abordado por meio de cartazes que alertavam sobre o uso de expressões discriminatórias contra pessoas com deficiência.
Lei Rouanet e ditadura militar também foram temas
Na prova de Linguagens, a primeira questão abordou a Lei Rouanet. Os candidatos tiveram que interpretar cartazes de projetos culturais beneficiados pelo mecanismo de incentivo, além de dados de uma pesquisa da Fundação Getulio Vargas (FGV) sobre o retorno dos investimentos para a sociedade.
Em Ciências Humanas, uma das questões tratou do chamado milagre econômico durante a ditadura militar, com foco nos problemas deixados pelo modelo de crescimento para os anos seguintes. Outro assunto abordado foi um projeto de agroecologia desenvolvido pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).