SEÇÕES

EUA prendem sargento envolvido na captura de Maduro; ele apostou na operação e ganhou R$ 2 milhões

Segundo as investigações, o militar teria se aproveitado de informações confidenciais para realizar 13 apostas.

Maduro | Foto: Reprodução/X/RJRebelion
Siga-nos no

O sargento das forças especiais dos Estados Unidos, Gannon Ken Van Dyke, foi preso por autoridades federais nesta quinta-feira (23), suspeito de obter mais de US$ 400 mil em apostas relacionadas à destituição do líder venezuelano Nicolás Maduro na plataforma Polymarket, conforme informou o Departamento de Justiça. 

Segundo as investigações, o militar teria se aproveitado de informações confidenciais para realizar 13 apostas entre os dias 27 de dezembro e 2 de janeiro, somando cerca de US$ 33 mil, pouco antes da divulgação oficial da captura de Maduro, anunciada pelo então presidente Donald Trump. 

A movimentação considerada fora do padrão levantou suspeitas no mercado de previsões, o que levou à abertura de uma apuração que se estendeu por meses e terminou com a prisão do sargento por uso indevido de dados sigilosos com fins lucrativos. 

Após a confirmação da operação militar dos Estados Unidos e da prisão de Maduro, os contratos ligados ao evento se valorizaram rapidamente. Com isso, o investimento feito pelo militar teve uma alta expressiva, gerando um lucro estimado em cerca de US$ 410 mil.

Esse tipo de contrato funciona de forma simples: paga US$ 1 caso o evento previsto aconteça. Assim, quem compra quando os valores estão baixos e acerta o resultado pode obter ganhos elevados em pouco tempo — como ocorreu neste caso, já que as apostas foram feitas antes da informação se tornar pública.

Dados da plataforma indicam que a conta utilizada foi criada recentemente. Em 27 de dezembro, o usuário adquiriu contratos no valor de US$ 96, apostando na realização de uma operação militar dos EUA na Venezuela até 31 de janeiro. Nos dias seguintes, novas apostas do mesmo tipo foram feitas, sempre antes da valorização dos contratos.

Após lucrar, o militar teria transferido grande parte do dinheiro para uma carteira de criptomoedas no exterior e, posteriormente, para uma conta recém-criada em uma corretora digital, numa tentativa de dificultar o rastreamento dos valores.

No dia da operação, ele também teria sacado a maior parte dos ganhos obtidos. Depois que a ação militar — chamada de “Operação Resolução Absoluta” — veio a público, movimentações suspeitas passaram a ser comentadas na imprensa e nas redes sociais.

Ainda conforme a investigação, Van Dyke tentou esconder sua identidade. Em 6 de janeiro de 2026, ele solicitou a exclusão da conta na plataforma, alegando falsamente ter perdido acesso ao e-mail. No mesmo dia, alterou o endereço eletrônico vinculado à carteira de criptomoedas para outro criado semanas antes e que não estava em seu nome.

O sargento responde agora a três acusações de violação da Lei de Bolsa de Mercadorias, cada uma com pena máxima de até 10 anos de prisão, além de fraude eletrônica (até 20 anos) e transação monetária ilegal (até 10 anos). 

Tópicos

VER COMENTÁRIOS

Carregue mais
Veja Também