- Banco Central do Paraguai ressarcirá 1,196 milhão de clientes do Ueno com R$ 880 milhões do Fundo de Garantia.
- Aposentados afetados terão pagamentos realizados normalmente em 17 de novembro, transferidos para outros bancos.
- Ministro da Economia destacou esforços do governo para tranquilizar clientes e garantir segurança financeira.
- Ministério Público investiga 27 pessoas por fraude e estelionato, resultando na prisão de oito e renúncia de autoridades.
- Banco Ueno, com 3 milhões de clientes, passou por intervenção após queda de solvência e uso de recursos públicos.
O Banco Central do Paraguai (BCP) informou neste sábado (7) que 1.196.000 correntistas do Banco Ueno receberam de volta o dinheiro que estava bloqueado após a intervenção na instituição financeira. O ressarcimento corresponde a aproximadamente R$ 880 milhões, retirados do Fundo de Garantia de Depósitos. As autoridades também garantiram que aposentados que recebiam benefícios pelo banco terão os pagamentos realizados normalmente em 17 de novembro.
O anúncio foi feito no Palácio López, após uma reunião de emergência entre o presidente interino, Pedro Alliana, ministros e representantes do Banco Central. O ministro da Economia e Finanças, Óscar Lovera, afirmou que o governo mobilizou esforços para atender os clientes afetados.
"Fomos instruídos a fazer o máximo esforço para tranquilizar os poupadores afetados", declarou.
Aposentadorias serão transferidas para outros bancos
Cerca de 32 mil dos 90 mil aposentados vinculados ao Instituto de Seguridade Social (IPS) recebiam seus benefícios pelo Ueno. Segundo o presidente do órgão, Derlis León, as contas estão sendo transferidas para outras oito instituições financeiras, para garantir o pagamento na data prevista.
O presidente interino do BCP, Pedro Acosta, acrescentou que ainda são avaliadas alternativas para depositantes com valores superiores ao limite coberto pelo Fundo de Garantia de Depósitos.
Crise provocou investigação e queda do presidente
O Banco Ueno, que possui aproximadamente 3 milhões de clientes, passou por intervenção após problemas financeiros. Ajustes nos balanços fizeram seu índice de solvência cair para menos da metade do mínimo exigido pela regulamentação.
O Ministério Público investiga 27 pessoas por suspeita de fraude e estelionato e determinou a prisão de oito delas. O caso também provocou a renúncia do então presidente do Banco Central, Carlos Carvallo, na terça-feira (3), e a destituição de Santiago Peña da Presidência do Paraguai, por impeachment, na sexta-feira (6).
A instituição administrava cerca de US$ 850 milhões em recursos públicos, incluindo valores do IPS. Apesar da crise, o Banco Central e o governo afirmam que os problemas do Ueno são isolados e não representam risco sistêmico para a economia paraguaia.