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Câmara argentina aprova reforma trabalhista de Milei com mudanças; texto volta ao Senado

Governo retirou artigos polêmicos sobre salários e moeda estrangeira; texto ainda prevê férias flexíveis e jornada de 12h

Parlamentares da oposição discutem com o presidente da Câmara dos Deputados da Argentina | Foto: Reprodução/ REUTERS/Alessia Maccioni
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A Câmara dos Deputados da Argentina aprovou, com mudanças, a reforma trabalhista proposta pelo presidente Javier Milei. Como o texto sofreu alterações em relação à versão chancelada anteriormente pelos senadores, a matéria precisará retornar ao Senado da Argentina para nova análise.

A votação ocorreu em meio a uma greve geral organizada por sindicatos contrários ao projeto. Para garantir a aprovação na Câmara, o governo negociou cerca de 30 mudanças no texto original, retirando pontos considerados mais sensíveis.

Entre os trechos excluídos está o dispositivo que previa a redução de até 50% do salário em casos de acidentes ocorridos fora do ambiente de trabalho. Também foi retirado o artigo que autorizava o pagamento de salários em moeda estrangeira ou por carteiras digitais, como as do Mercado Pago, por não oferecerem as mesmas garantias das instituições supervisionadas pelo Banco Central.

Manifestantes em protesto em frente ao Congresso Nacional da Argentina (Foto:Reprodução/ REUTERS/Agustin Marcarian)

Reforma amplia flexibilização e altera regras de indenização

Considerada uma das reformas mais abrangentes da legislação trabalhista argentina desde a redemocratização, a proposta tem como objetivo, segundo o governo, modernizar normas vistas como rígidas, reduzir custos para empregadores e estimular a formalização do mercado de trabalho.

Críticos, por outro lado, afirmam que as mudanças podem enfraquecer sindicatos, ampliar a precarização e aumentar a insegurança no emprego, especialmente entre trabalhadores de menor renda e qualificação.

Entre os principais pontos mantidos no texto estão:

  • Férias mais flexíveis, que poderão ser fracionadas em períodos mínimos de sete dias e negociadas fora do intervalo tradicional;
  • Ampliação da jornada diária, de oito para até 12 horas, desde que respeitado o descanso mínimo, com possibilidade de compensação sem pagamento de horas extras;
  • Restrições a greves em setores essenciais, exigindo funcionamento mínimo entre 50% e 75% dos serviços;
  • Ampliação do período de experiência, que pode chegar a seis meses — e, em alguns casos, a oito ou 12 — com indenizações reduzidas;
  • Mudanças nas indenizações por demissão, com redução nos cálculos e possibilidade de pagamento parcelado;
  • Alterações na negociação coletiva, permitindo maior peso a acordos firmados entre empresas e sindicatos locais.

A proposta também traz medidas voltadas ao combate à informalidade, como a eliminação de multas por falta de registro trabalhista e a criação de mecanismos de regularização de vínculos. Ao mesmo tempo, proíbe a contratação de trabalhadores autônomos, os chamados monotributistas, para funções que caracterizem relação formal de emprego.

No setor digital, trabalhadores de aplicativos passam a ser reconhecidos formalmente como autônomos, com regras específicas e seguro de proteção. Já o teletrabalho deixa de seguir parte das exigências adicionais criadas durante a pandemia.

A expectativa do governo é concluir a tramitação da versão final até o início de março. A votação é vista como um dos momentos mais decisivos da gestão Milei desde a posse, em dezembro de 2023, e integra o pacote de reformas voltado à estabilização macroeconômica e à atração de investimentos.


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