- Câmara dos Deputados rejeitou pedido de impeachment contra vice-presidente Pedro Alliana.
- Santiago Peña renunciou à presidência após crise bancária e acusações de conivência com irregularidades.
- Banco digital Ueno encerrou atividades após insuficiência de recursos e intervenção do Banco Central.
- Executivos do Ueno foram presos e acusados formalmente por irregularidades e possíveis crimes.
- Governo prometeu medidas para recuperar recursos dos clientes afetados pela crise.
A Câmara dos Deputados do Paraguai rejeitou nesta quinta-feira (5) o pedido de impeachment contra o vice-presidente Pedro Alliana. Com a decisão e a renúncia de Santiago Peña ao cargo, Alliana assumirá a Presidência do país e ficará responsável pelo governo até o fim do mandato, previsto para 2028.
A saída de Peña foi anunciada mais cedo, em meio a uma crise bancária que provocou forte desgaste político em seu governo. O presidente era alvo de acusações de conivência com irregularidades envolvendo o banco digital Ueno, que teve as atividades encerradas após uma intervenção do Banco Central paraguaio e deixou milhares de clientes sem acesso aos próprios recursos.
Em um vídeo divulgado à população, Peña pediu desculpas às pessoas prejudicadas pela situação e afirmou que decidiu deixar o cargo pensando na estabilidade do país, na paz social e na preservação das instituições democráticas.
"Estou convencido de que nenhum cargo pode estar acima do bem-estar do Paraguai. Também quero pedir desculpas ao povo. Se em algum momento falhei, nunca foi minha intenção decepcionar a confiança que depositaram em mim", declarou.
Crise bancária provocou desgaste político
Economista e integrante do Partido Colorado, Peña assumiu a Presidência em 2023 e deveria permanecer no cargo até 2028. Ele também foi acionista do grupo responsável pelo banco Ueno até março do ano passado.
A instituição encerrou as atividades na terça-feira (3), após o Banco Central identificar insuficiência de recursos para cumprir suas obrigações financeiras. Entre os problemas apontados estão empréstimos concedidos a empresas vinculadas ao próprio banco.
A crise atingiu milhares de correntistas e provocou questionamentos sobre a atuação das autoridades financeiras. A oposição acusou o presidente de conflito de interesses e de ter sido conivente com possíveis irregularidades, além de apontar suspeitas de que o Banco Central teria encoberto problemas na instituição.
Investigação envolve executivos do banco
As investigações sobre o caso também avançaram contra integrantes da instituição financeira. Executivos do Ueno se entregaram às autoridades após a emissão de mandados de prisão pela Procuradoria, que também apresentou acusações formais contra 27 pessoas ligadas ao banco. A Justiça determinou ainda o bloqueio dos bens dos investigados.
O governo anunciou medidas para permitir que os clientes recuperem os valores depositados na instituição. Em manifestação pública, Peña afirmou que os responsáveis pelas irregularidades deverão responder à Justiça.
A crise também aumentou a preocupação com o sistema financeiro paraguaio após relatos de instabilidade nos aplicativos de outras instituições. A Associação de Bancos do Paraguai informou, porém, que o setor continuava funcionando normalmente, apesar do aumento na procura por transferências de contas.