- Democratas dos EUA criticam concessão de vistos a Flávio Bolsonaro após sua derrota eleitoral no Brasil.
- Grupos democratas questionam tratamento diferenciado para Bolsonaro, comparando a situação a casos de refugiados.
- Deputado Joaquin Castro cobrou explicações do governo Trump sobre a saída ilegal de Bolsonaro do Brasil.
- Trump afirmou que aprovaria entrada de Bolsonaro nos EUA, apesar da falta de confirmação oficial.
- Disputa política nos EUA ganha força com críticas ao tratamento migratório de aliados estrangeiros.
Integrantes do Partido Democrata dos Estados Unidos criticaram o plano do governo do presidente Donald Trump de conceder vistos ao senador Flávio Bolsonaro (PL) e a seus familiares. As manifestações ocorreram após o Departamento de Estado americano anunciar, na terça-feira (27), que permitiria a entrada do grupo no país, poucos dias depois da derrota do parlamentar nas eleições presidenciais brasileiras.
Em publicação nas redes sociais, os democratas do Comitê de Relações Exteriores da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos questionaram o tratamento dado ao brasileiro e compararam a situação às restrições migratórias enfrentadas por pessoas que fogem de conflitos no Sudão e no Haiti.
“Nenhum asilo para pessoas fugindo da guerra no Sudão ou do conflito no Haiti, mas Rubio está estendendo o tapete vermelho para Bolsonaro. Aparentemente, fugir da violência não se qualifica. Negar os resultados eleitorais, sim”, afirmou o grupo, em referência ao secretário de Estado americano, Marco Rubio.
As críticas surgiram após a confirmação de que Flávio Bolsonaro deixou o Brasil acompanhado de familiares. Segundo o governo argentino, o senador entrou na Argentina na noite de terça-feira (27) e embarcou em um avião particular com destino aos Estados Unidos.
Democratas cobram explicações
Outros integrantes do Partido Democrata também se manifestaram contra a possibilidade de Flávio Bolsonaro receber asilo nos Estados Unidos.
Na rede social Threads, o candidato democrata Isaiah Martin criticou a eventual proteção oferecida ao parlamentar brasileiro. Ele chamou Flávio de “imigrante ilegal criminoso” e questionou os possíveis custos de segurança para os contribuintes americanos.
“Agora, o contribuinte americano vai arcar com os custos para proteger sua família criminosa e suas viagens de luxo pelo nosso país”, escreveu Martin.
O deputado democrata Joaquin Castro também questionou a possibilidade de acolhimento do senador e afirmou que uma derrota eleitoral não justifica um pedido de asilo.
“Perder uma eleição não é motivo para pedir asilo”, declarou.
Castro ainda cobrou explicações do governo Trump sobre a saída de Flávio Bolsonaro do Brasil, mencionando investigações envolvendo o senador e uma determinação judicial para entrega de seus passaportes.
“O governo Trump deve explicações ao Congresso sobre seu papel em ajudar Bolsonaro a fugir do Brasil em desacordo com a legislação brasileira”, afirmou.
Trump apoia entrada do senador
As manifestações ocorreram depois que o Departamento de Estado dos Estados Unidos informou, na terça-feira (27), que concederia vistos a Flávio Bolsonaro e seus familiares. Até o momento, não houve confirmação oficial de que os documentos já tenham sido emitidos.
A saída do senador do Brasil ocorreu após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, determinar, na noite de domingo (25), a entrega de seus passaportes.
Nesta quarta-feira (28), Donald Trump também se pronunciou sobre a possibilidade de receber o parlamentar brasileiro. Questionado por jornalistas, o presidente americano afirmou que aprovaria a entrada da família nos Estados Unidos.
“Bem, eu aprovaria. Acho que eles são boas pessoas. A eleição foi muito estranha, e achei que foi terrível. Ela tem recebido avaliações ruins. Veja o que aconteceu com o mercado deles”, declarou Trump.
Apesar das declarações, a eventual concessão de asilo ainda não foi confirmada oficialmente. A emissão de vistos e o reconhecimento de um pedido de asilo são procedimentos diferentes na legislação migratória americana.
Disputa política nos Estados Unidos
A repercussão ocorre a menos de uma semana das eleições legislativas de meio de mandato dos Estados Unidos, marcadas para 3 de novembro.
Na votação, os americanos escolherão todos os representantes da Câmara e parte dos integrantes do Senado. O resultado definirá a composição do Congresso durante os dois últimos anos do mandato de Donald Trump.
Principal força de oposição ao governo republicano, o Partido Democrata tem intensificado as críticas à política migratória da administração Trump, incluindo o tratamento dispensado a aliados políticos estrangeiros.