Mais de 200 pessoas morreram após o desabamento de uma mina de coltan na região de Rubaya, no leste da República Democrática do Congo. Entre as vítimas estão mineiros, crianças e comerciantes que atuavam no local.
A informação foi confirmada nesta sexta-feira (30) à agência Reuters por Lubumba Kambere Muyisa, porta-voz do governador da província onde a mina está localizada, autoridade nomeada pelo grupo rebelde que controla a região.
Mina responde por 15% da produção mundial de coltan
A mina de Rubaya é responsável por cerca de 15% da produção global de coltan, minério estratégico utilizado na fabricação de tântalo, metal essencial para a produção de celulares, computadores, componentes aeroespaciais e turbinas a gás.
No local, moradores da região realizam a extração do minério de forma manual, recebendo alguns dólares por dia pelo trabalho.
Área é controlada pelo grupo rebelde M23
Desde 2024, a mina está sob o controle do grupo rebelde M23, que atua no leste do país. O desabamento ocorreu na quarta-feira (28), mas o número exato de vítimas ainda não havia sido totalmente confirmado até esta sexta.
Em declaração à Reuters, Muyisa afirmou que mais de 200 pessoas foram atingidas pelo deslizamento de terra, algumas das quais chegaram a ser resgatadas com ferimentos graves.
Um assessor do governador informou que o número de mortos confirmados era de pelo menos 227, mas falou sob condição de anonimato por não estar autorizado a conceder entrevistas à imprensa.
ONU aponta exploração ilegal de recursos minerais
As Nações Unidas afirmam que o M23 tem saqueado as riquezas minerais de Rubaya para financiar sua insurgência armada. Segundo a ONU, o grupo conta com apoio do governo da Ruanda, acusação que é negada por Kigali.
Fortemente armados, os rebeldes do M23 têm como objetivo declarado derrubar o governo central em Kinshasa e garantir a segurança da minoria tutsi congolesa. No ano passado, o grupo avançou rapidamente sobre novas áreas ricas em minerais no leste do país.