SEÇÕES

Duas semanas após terremotos, Venezuela ainda busca mais de 30 mil desaparecidos

Equipes de resgate seguem atuando entre os escombros, enquanto esperança de encontrar sobreviventes diminui e aumenta a pressão sobre as autoridades

Ver Resumo
  • Terremotos de 7,2 e 7,5 na Venezuela completam duas semanas, causando 3.685 mortes e 17.907 pessoas afetadas.
  • Portal da sociedade civil registra mais de 30 mil desaparecidos, enquanto governo não divulga dados oficiais.
  • Operação de resgate conta com 4.300 socorristas internacionais e 27 mil voluntários, focada na localização de corpos.
  • Moradores de La Guaira relatam resignação e indignação com a inação do Estado, enquanto buscas seguem em áreas destruídas.
  • Equipe brasileira localizou 19 vítimas, mas condições adversas dificultam operações de resgate em áreas afetadas.
Duas semanas após os terremotos, equipes de resgate continuam as buscas por milhares de desaparecidos na Venezuela | Foto: Reprodução/ Edilzon Gamez/Getty Images
Siga-nos no

Os terremotos que atingiram a Venezuela no fim de junho completam duas semanas nesta quarta-feira (7), enquanto o país ainda enfrenta uma das maiores operações de busca de sua história. Sem uma estimativa oficial do governo sobre o número de desaparecidos, um portal criado pela sociedade civil reúne mais de 30 mil registros de pessoas cujo paradeiro ainda é desconhecido.

O balanço mais recente divulgado pelas autoridades aponta 3.685 mortes, além de 17.907 pessoas diretamente afetadas pelos tremores. Ao todo, 86.794 famílias receberam algum tipo de assistência, enquanto 856 edifícios sofreram danos estruturais, sendo 190 completamente destruídos.

Esperança dá lugar à resignação

Os terremotos, de magnitudes 7,2 e 7,5, atingiram o país na noite de 24 de junho e foram os mais fortes registrados na Venezuela desde 1900. Desde então, mais de mil réplicas de menor intensidade foram contabilizadas.

Na região de La Guaira, uma das mais afetadas, moradores relatam que a expectativa de encontrar familiares com vida diminui a cada dia. O jornalista venezuelano Marco David Valverde afirmou que o sentimento inicial de esperança foi substituído pela resignação e pela indignação diante da resposta do poder público.

"Durante a semana, a esperança deu lugar à resignação. E, com a resignação, veio muita raiva pela inação do Estado", afirmou.

Mesmo diante da tragédia, muitos moradores tentam retomar parte da rotina nos abrigos improvisados, organizando atividades para crianças e buscando formas de enfrentar o luto coletivo.

(Foto: Reprodução/ Edilzon Gamez/Getty Images)

Buscas agora se concentram na localização de corpos

Segundo o presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, Jorge Rodríguez, mais de 6.400 pessoas foram resgatadas desde o início da operação. Atualmente, cerca de 4.300 socorristas internacionais atuam no país ao lado de aproximadamente 27 mil voluntários.

O tenente-coronel Rafael Cosendey, do Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais, que integra a missão brasileira na Venezuela, afirmou que as equipes já trabalham praticamente sem expectativa de encontrar sobreviventes.

"As chances de sobreviventes são quase nulas. Os trabalhos estão focados agora na localização e retirada de corpos", explicou.

De acordo com o militar, fatores como o grande volume de escombros, a profundidade dos soterramentos, as altas temperaturas e o risco de novos tremores dificultam as operações de resgate. Até o momento, a equipe brasileira localizou 19 vítimas.

Apesar das dificuldades, Cosendey destacou o envolvimento da população venezuelana nas buscas. Segundo ele, moradores e familiares das vítimas seguem auxiliando os trabalhos coordenados pelas equipes especializadas, movidos pelo desejo de localizar parentes e amigos desaparecidos.

Tópicos

VER COMENTÁRIOS

Carregue mais
Veja Também