- O governo dos EUA intensificou esforços para revogar a cidadania de pessoas naturalizadas suspeitas de fraude.
- Até outubro de 2026, o governo pretende abrir pelo menos 250 processos de desnaturalização.
- Casos incluem pessoas acusadas de fraude, abuso sexual de menores e apoio ao terrorismo.
- O Departamento de Justiça reforçou estrutura para acelerar processos e deslocou advogados para atuar nos casos.
O governo dos Estados Unidos intensificou os esforços para revogar a cidadania de pessoas naturalizadas no país e pretende abrir pelo menos 250 processos de desnaturalização até outubro de 2026. A medida faz parte da política migratória do presidente Donald Trump e tem como alvo cidadãos nascidos no exterior suspeitos de terem obtido a cidadania por meio de fraude, omissão de informações ou outras irregularidades durante o processo de naturalização.
Dados do Departamento de Justiça dos EUA (DOJ) mostram que, em menos de dois meses, foram apresentados 29 novos processos de desnaturalização. O número já supera o ritmo observado nos últimos anos. Entre 2008 e junho de 2026, foram registrados 166 casos desse tipo, média inferior a dez ações por ano.
Casos envolvem fraude e crimes graves
Segundo as autoridades americanas, os processos abertos até o momento incluem pessoas acusadas de fraude, abuso sexual de menores, além de indivíduos que teriam demonstrado apoio ao terrorismo antes ou durante a obtenção da cidadania.
A legislação federal dos Estados Unidos permite a revogação da cidadania quando houver comprovação de que o cidadão naturalizado prestou informações falsas relevantes ou conseguiu a naturalização sem preencher os requisitos legais exigidos.
De acordo com uma fonte do Departamento de Justiça do EUA, a medida busca “proteger a integridade da cidadania americana” e garantir que apenas pessoas elegíveis tenham acesso aos benefícios concedidos pelo país.
Governo reforça estrutura para acelerar processos
Para ampliar o número de ações, o Departamento de Justiça passou a deslocar advogados de diferentes setores para atuar nos casos de desnaturalização. Escritórios de procuradores federais também começaram a receber novos processos para análise e encaminhamento.
Um memorando divulgado em junho de 2025 pelo procurador-geral assistente Brett Shumate definiu dez categorias prioritárias para os casos. Entre elas estão pessoas consideradas ameaça à segurança nacional, suspeitos de crimes de guerra, envolvidos em terrorismo e indivíduos que esconderam antecedentes criminais durante a naturalização.
A unidade especializada em desnaturalização conta atualmente com 12 advogados e segue recebendo informações encaminhadas pelo Departamento de Segurança Interna dos EUA (DHS).
Medida não afeta cidadãos nascidos nos EUA
As ações de desnaturalização atingem apenas pessoas que conquistaram a cidadania por meio da naturalização. Cidadãos que nasceram em território americano e receberam a cidadania por direito de nascimento não podem ser alvo desse tipo de processo.
Paralelamente, o governo Trump também tenta restringir a cidadania automática para filhos de imigrantes nascidos nos Estados Unidos. O tema aguarda uma decisão da Suprema Corte dos EUA.
Nos últimos dez anos, cerca de 8 milhões de pessoas se tornaram cidadãos naturalizados no país, segundo dados do Serviço de Cidadania e Imigração dos Estados Unidos (USCIS).
Especialistas acompanham avanço das ações
Especialistas apontam que os processos de desnaturalização costumam ser complexos e exigem análise detalhada da documentação e do histórico dos investigados. Historicamente, esse tipo de ação foi utilizado principalmente contra pessoas envolvidas em terrorismo, crimes de guerra ou fraudes comprovadas.
Apesar do aumento no número de casos, juristas destacam que a revogação da cidadania continua dependendo de decisão da Justiça Federal. Caso o governo obtenha êxito, o cidadão retorna ao status migratório anterior e, dependendo da situação, pode até enfrentar um processo de deportação.