- ICE dos EUA poderá adquirir luvas com choque elétrico para reduzir confrontos durante abordagens.
- Equipamento CTG 5 G.L.O.V.E. será entregue até março de 2027, com custo estimado entre US$ 10 milhões e US$ 20 milhões.
- Luvas emitem até 380 volts, visando inibir movimentos e evitar agressões, mas exigem contato direto com a pele.
- Dispositivo não deve ser usado como punição e é proibido em casos de risco elevado, como gravidez ou deficiência grave.
- DHS prepara resposta sobre aquisição, enquanto fabricante não comentou a contratação.
Agentes e oficiais do ICE, a polícia migratória dos Estados Unidos, poderão ser equipados com luvas capazes de emitir choques elétricos. O fabricante afirma que o dispositivo foi desenvolvido para ajudar a reduzir confrontos durante abordagens.
O ICE estima gastar entre US$ 10 milhões e US$ 20 milhões na aquisição das luvas, chamadas CTG 5 G.L.O.V.E. A sigla significa Generated Low Output Voltage Emitter (Emissor de Baixa Tensão Gerada).
Entrega está prevista para 2027
Segundo um aviso publicado na segunda-feira (10) pelo Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos (DHS), os dispositivos deverão ser entregues até 31 de março de 2027. O documento não informa quantas unidades poderão ser adquiridas, o preço de cada luva ou quando os agentes começariam a utilizá-las.
A medida ocorre em meio a críticas às táticas empregadas em operações de imigração e à pressão do governo do presidente Donald Trump para aumentar o número de prisões relacionadas à imigração. O DHS informou à agência Associated Press (AP), que revelou o caso, que preparava uma resposta sobre a aquisição. A Compliant Technologies, fabricante do equipamento, também não comentou a possível contratação.
Como funcionam as luvas
A Compliant Technologies apresenta o G.L.O.V.E. como um “dispositivo de desescalada vestível”, que pode ser ativado no modo elétrico. Segundo o manual dos modelos CTG4 e CTG5, as luvas podem emitir até 380 volts. De acordo com o documento, a descarga tem como objetivo inibir ou distrair a pessoa atingida, dificultando a realização de movimentos musculares coordenados.
O manual determina que no máximo duas luvas sejam utilizadas simultaneamente em uma pessoa e estabelece que elas não devem ser aplicadas por mais de 15 segundos em muitos casos. Em situações nas quais policiais ou outras pessoas estejam em perigo, o manual prevê o uso do dispositivo até que seja obtido “controle e conformidade”, ou a adoção de um nível maior de força.
Equipamento precisa tocar a pele
As luvas precisam ter contato direto com a pele para funcionar e não são eficazes quando aplicadas sobre roupas ou cabelos, segundo o manual. A fabricante afirma que o equipamento foi desenvolvido para complementar ferramentas utilizadas por forças de segurança, agentes penitenciários, equipes médicas de emergência e militares.
A empresa afirma que as luvas não devem ser utilizadas como forma de punição. O manual também desaconselha o uso em pessoas consideradas de alto risco, incluindo gestantes, idosos, crianças pequenas e pessoas com deficiência grave. O documento ainda orienta que o equipamento não seja utilizado diante de situações de desafio verbal ou agressividade.
Para operar as luvas, o usuário precisa ser certificado e passar por recertificação a cada dois anos, segundo as regras do fabricante.
O aviso do DHS indica que uma solicitação de contrato sem licitação poderá ser publicada já na sexta-feira (14). A eventual contratação ainda não define quantas luvas serão adquiridas nem quando os agentes do ICE começariam a utilizar os equipamentos.