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Keiko Fujimori toma posse como presidente do Peru após vitória apertada nas eleições

Direitista venceu Roberto Sánchez por menos de 50 mil votos e assume o comando do país em meio à crise política

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  • Keiko Fujimori assume presidência do Peru em cerimônia em Lima, na data da independência nacional.
  • Eleição foi decidida por menos de 50 mil votos, após apuração de 100% das urnas em 22 dias.
  • Retorna ao poder o fujimorismo, após mais de duas décadas da queda de Alberto Fujimori, ex-presidente condenado.
  • Vitória de Keiko é contestada por Sánchez, que acusa fraude em votos de peruanos no exterior.
  • Peru enfrenta crise política com oito presidentes nos últimos oito anos, incluindo governos interinos e renúncias.
A presidente eleita do Peru, Keiko Fujimori | Foto: Connie France/AFP
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A direitista Keiko Fujimori, de 51 anos, toma posse nesta terça-feira (28) como presidente do Peru, em cerimônia realizada em Lima, no mesmo dia em que o país celebra a independência nacional.

Keiko venceu as eleições presidenciais de junho por uma diferença inferior a 50 mil votos sobre o candidato de esquerda Roberto Sánchez. O resultado só foi confirmado após a apuração de 100% das urnas, processo que levou 22 dias.

A posse marca o retorno do fujimorismo ao poder mais de duas décadas após a queda do ex-presidente Alberto Fujimori, pai da nova presidente. Ele governou o Peru entre 1990 e 2000, promoveu um autogolpe, instaurou um regime ditatorial e foi condenado por diversos crimes, entre eles crimes contra a humanidade. Alberto Fujimori morreu em 2024, aos 86 anos.

Condenado a 25 anos de prisão, o ex-presidente foi responsabilizado por corrupção e por atuar como mandante dos massacres de Barrios Altos (1991) e La Cantuta (1992), que deixaram 25 mortos. Seu governo também ficou marcado por políticas como a esterilização de mulheres indígenas sem consentimento e pela exibição pública de líderes guerrilheiros presos em jaulas.

Vitória segue sendo contestada

No início do mês, Roberto Sánchez apresentou à Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) um recurso para contestar o resultado da eleição. O candidato alega que houve fraude nos votos de peruanos residentes no exterior e sustenta que, sem essas cédulas, seria o vencedor da disputa.

Antes disso, o Júri Nacional de Eleições (JNE), principal autoridade eleitoral do Peru, rejeitou o pedido para anular os votos do exterior por considerar as alegações infundadas. A vantagem de Keiko foi ampliada justamente após a contabilização desses votos.

Entre os eleitores peruanos residentes no Brasil, Keiko também venceu a disputa. Segundo a Comissão Nacional Eleitoral do Peru (ONPE), ela recebeu 2.832 votos (55,6%), contra 2.261 (44,4%) de Sánchez.

País enfrenta crise política

Keiko Fujimori assume a Presidência em meio a um cenário de instabilidade institucional. Nos últimos oito anos, o Peru teve oito presidentes, entre governos eleitos, interinos, renúncias e impeachments.

A crise mais recente começou em dezembro de 2022, quando Pedro Castillo foi preso após tentar dissolver o Congresso e decretar estado de exceção para impedir seu impeachment. Desde então, o país passou por sucessivas mudanças no comando, incluindo os governos interinos de Dina Boluarte, José Jeri e José María Balcázar Zelada.

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