- Secretário de Saúde dos EUA, Robert F. Kennedy Jr., defende vacinação contra sarampo após aumento de casos.
- País registra 2.371 casos confirmados de sarampo em 2026, superando 2025.
- Kennedy apela para vacina tríplice viral, apesar de ter criticado imunizantes anteriormente.
- Mudança de discurso contrasta com histórico de críticas à vacinação e questionamentos sobre eficácia.
- Secretário rejeita responsabilidade pelo aumento de casos, apesar da pressão sobre sua atuação.
Conhecido por seu histórico de críticas às vacinas e por questionamentos sobre a segurança e a eficácia dos imunizantes, o secretário de Saúde dos Estados Unidos, Robert F. Kennedy Jr., adotou um tom diferente ao falar sobre a vacinação contra o sarampo. Em entrevista à CNN, ele afirmou que os pais americanos devem vacinar seus filhos contra a doença, justamente quando o país enfrenta um dos piores cenários epidemiológicos das últimas décadas.
A mudança de discurso ocorre em meio ao avanço dos casos. Os Estados Unidos já contabilizam 2.371 infecções confirmadas por sarampo em 2026, número que supera os 2.289 registros de todo o ano de 2025.
Durante a entrevista, a apresentadora Dana Bash pressionou Kennedy a utilizar sua posição como autoridade máxima da saúde pública para fazer um apelo direto às famílias antes do início do novo ano letivo.
Questionado sobre a necessidade de vacinação, o secretário foi direto: “Os pais devem vacinar seus filhos contra o sarampo. A vacina contra o sarampo é eficaz e previne a doença em cerca de 97% dos casos. As pessoas devem se vacinar”.
Mais adiante, Kennedy também defendeu a aplicação da vacina tríplice viral (SCR), que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, imunizante que esteve entre os principais alvos de seus questionamentos ao longo dos anos.
CONTRASTE COM O PASSADO
A recomendação representa uma mudança significativa em relação ao posicionamento historicamente adotado por Kennedy, que se tornou uma das figuras mais conhecidas do movimento antivacina nos Estados Unidos.
Mesmo após assumir o comando do Departamento de Saúde e Serviços Humanos, ele chegou a tratar a vacinação contra o sarampo como uma decisão individual e fez declarações questionando a eficácia dos imunizantes. Agora, diante do crescimento dos casos, o secretário passou a defender publicamente a vacinação infantil contra a doença.
O avanço do sarampo preocupa as autoridades americanas. Os últimos dois anos já registraram mais casos da doença nos Estados Unidos do que todo o restante do século XXI. A quantidade acumulada em 2026 ultrapassou o total de 2025 e colocou o país diante do maior número anual de infecções desde 1991. A situação também ameaça o status dos Estados Unidos como país livre do sarampo, condição mantida desde 2000.
Apesar da mudança no discurso sobre a vacinação, Kennedy rejeitou qualquer responsabilidade pelo crescimento dos casos quando questionado sobre sua atuação. “Absolutamente não”. A resposta contrasta com a pressão que o secretário vem sofrendo diante da expansão dos surtos e coloca em evidência a mudança de tom de uma das principais autoridades de saúde do governo americano.