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Leão XIV diz que maioria dos jovens prefere Bad Bunny ao papa

Pontífice, que chegou à Espanha neste sábado (6), disse também que sabe que 'a maioria dos jovens escolhera ir a um show de Bad Bunny' que a uma missa com ele

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  • Papa Leão XIV pede a líderes mundiais que moderem narrativas divisivas.
  • Visita à Espanha foca na questão migratória europeia e abusos sexuais dentro da Igreja.
  • Papa apoiará seleção dos EUA no torneio de futebol, mas prefere o Peru em jogos anteriores.
  • Rei da Espanha elogia clareza e firmeza do papa frente aos casos de abusos sexuais.
O papa Leão XIV acena ao chegar ao aerorpoto de Madri para visita à Espanha, em 6 de junho de 2026 | Foto: Divulgação/Ascom/Yara Nardi
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O papa Leão XIV pediu a líderes mundiais neste sábado (6) que moderem as "narrativas divisivas e polarizantes" usadas para fragmentar eleitorados e ganhar popularidade.

O pedido do pontífice, que no começou do ano travou embates com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, foi feito no primeiro dia da visita do pontífice à Espanha. A viagem do papa é centrada na questão migratória europeia, que tem dividido e dominado no debate público no continente.

Antes da chegada ao país europeu, no entanto, o papa foi questionado, em seu avião, se prefere o Real Madrid ou o Barcelona, os dois principais clubes de futebol da Espanha.

"O papa é para todos os times, mas Prevost é para o Real Madrid", revelou o pontífice em referência ao seu nome real, Robert Prevost.

O papa também revelou, em entrevista à agência Reuters, que irá apoiar a seleção dos Estados Unidos. "Eu certamente apoiaria os EUA", disse o pontífice à Reuters. "Não sei quantos jogos poderei ver, mas desejo a eles tudo de bom."

Leão XIV é originário de um subúrbio ao sul de Chicago, mas serviu como missionário e bispo no Peru por décadas antes de se tornar papa. Em uma entrevista de 2025, ele disse que torceria pelo Peru e não pelos Estados Unidos em qualquer partida de futebol.

Porém, o Peru não conseguiu se classificar para o torneio deste ano, abrindo espaço para uma bênção papal para a seleção dos EUA.

'Sei que escolherão Bad Bunny' a mim, diz papa

No avião, Leão XIV também foi questionado sobre a perda gradual de fiéis na Igreja Católica, especialmente na Espanha, um dos principais redutos do catolicismo na Europa. Antes de chegar ao país europeu, o pontífice disse estar "satisfeito" com estudos mostrando mais interesse dos jovens pela religião, embora saiba que a maioria deles prefere "ver Bad Bunny" ao papa.

"Se confrontados com a pergunta de se querem ver Bad Bunny ou se querem ver o papa, acho que muitos vão ver Bad Bunny. Mas também acho que haverá alguns que virão ver o papa. E isso diz alguma coisa", afirmou o pontífice.

Ao aterrissar em Madri, o papa também elogiu o "compromisso ativo com a paz" e a "fidelidade ao direito internacional" da Espanha — recentemente, o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, também teve atritos com Trump ao condenar a guerra no Irã. O próprio pontífice, que é dos Estados Unidos, foi duramente criticado pelo presidente norte-americano por sua posição antibelicista.

Sem se referir a Trump, Leão XIV lamentou que a mensagem da paz "nestes tempos, infelizmente, ressoe para alguns como ingênua e para outros como provocadora".

Depois de ser recepcionado no Palácio Real de Madri, nesta manhã, o papa encerrará o dia com uma vigília de oração perto do estádio Santiago Bernabéu, do Real Madri, que deve reunir cerca de 400.000 fiéis. No domingo, tem previsto reunir um milhão de fiéis em uma missa na praça de Cibeles, no centro de Madri.

Na segunda-feira, Leão XIV se tornará o primeiro papa a comparecer no Parlamento espanhol, onde dará um discurso para os legisladores. No dia seguinte, o pontífice irá para Barcelona e, depois, para o arquipélago espanhol das Ilhas Canárias, principal porta de entrada de migrantes em situação irregular na Espanha.

Abusos ainda são 'feridas abertas', diz papa

Na viagem, o pontífice abordou ainda outro grande ponto de sua viagem: os abusos sexuais dentro da Igreja, com cujas vítimas tem previsto se reunir nestes dias. E disse que "os abusos ainda são uma ferida aberta".

O rei da Espanha, Felipe VI, saudou a "clareza e a firmeza" do papa frente aos casos de abusos sexuais dentro da igreja, ao lhe dar as boas-vindas no Palácio Real de Madri. A Defensoria Pública da Espanha avaliou, em um relatório publicado em 2023 que, desde 1940, mais de 200.000 menores poderiam ter sofrido agressões por parte de religiosos católicos.

 O governo de Sánchez e a Igreja espanhola assinaram, no fim de março, um acordo para indenizar as vítimas de crimes sexuais, após anos de reticências e nebulosidade por parte da hierarquia eclesiástica.

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