Em entrevista a jornais franceses publicada nesta terça-feira (10), o presidente da França, Emmanuel Macron, voltou a criticar o acordo comercial entre a União Europeia (UE) e o Mercosul, classificando o tratado como um “mau negócio”.
Ao comentar a possibilidade de avanço nas negociações, o líder francês afirmou que o acordo é antigo e foi mal estruturado. Segundo ele, o pacto não teria efeitos tão negativos para a agricultura europeia quanto alguns setores temem, mas também não geraria o crescimento econômico esperado por outros.
Macron ressaltou ainda que a Europa enfrenta um “enorme” desafio econômico e defendeu que o bloco amplie investimentos estratégicos, especialmente nas áreas de transição ecológica, inteligência artificial e tecnologia quântica.
Empréstimo conjunto e eurobônus
Durante as entrevistas, o presidente francês também defendeu a criação de um mecanismo de dívida comum na União Europeia, como a emissão de eurobônus, para permitir investimentos em grande escala e fortalecer a posição econômica do bloco frente a potências como Estados Unidos e China.
Na avaliação de Macron, a UE possui nível de endividamento menor que o de outras grandes economias e poderia usar essa capacidade para financiar projetos estratégicos e reforçar a competitividade europeia.
O presidente afirmou ainda que a Europa precisa proteger melhor suas próprias indústrias e defendeu uma espécie de “preferência europeia” em setores considerados estratégicos, sob risco de perda de competitividade global.
Acordo em negociação há décadas
O tratado entre União Europeia e Mercosul está em negociação há mais de 25 anos e prevê a criação de uma ampla zona de livre comércio entre os blocos, com redução de tarifas de importação e exportação em diferentes setores, como indústria e agronegócio.
Macron tem demonstrado resistência ao avanço do acordo, alegando que ele pode representar riscos para agricultores europeus e que os países do Mercosul operam sob regras ambientais e sanitárias diferentes das exigidas na UE.
Para o governo francês, sem garantias adicionais de proteção ao setor agrícola e às normas europeias, o tratado não deve ser assinado nos moldes atuais.