- O governo argentino congelou repasses financeiros para organizações que atendem pessoas com deficiência.
- A Justiça deu prazo de 72 horas para o governo restabelecer os pagamentos, mas a gestão de Milei recorreu da determinação.
- O governo de Milei propõe mudar o sistema de pagamentos e limitar o acesso aos benefícios para deficientes.
- A falta de verba sufoca as entidades prestadoras de serviços, com cerca de 50 centros terapêuticos fechados este ano.
O governo do presidente da Argentina, Javier Milei, cortou programas de atendimento a pessoas com deficiência sob o argumento de que precisa combater desperdícios e reformar a burocracia estatal.
O que aconteceu
O governo argentino congelou repasses financeiros para organizações que atendem pessoas com deficiência. A medida, formalizada no dia 18, afeta entidades que oferecem serviços terapêuticos e educacionais em todo o país.
No mesmo dia, a Justiça deu prazo de 72 horas para o governo restabelecer os pagamentos. A gestão de Milei, no entanto, recorreu da determinação.
Milei propõe mudar o sistema de pagamentos e limitar o acesso aos benefícios. Em abril, seu governo enviou um projeto de lei ao Congresso prevendo que os prestadores de serviço aos deficientes negociem diretamente com seguradoras e governos locais.
A gestão também fechou a agência nacional de deficiência e demitiu servidores. Sob acusações do governo de que havia corrupção na antiga gestão, os programas foram transferidos para o Ministério da Saúde.
A falta de verba sufoca as entidades prestadoras de serviços. As organizações enfrentam dívidas crescentes porque os reembolsos do Estado estão atrasados e abaixo da inflação acumulada.
Para reduzir custos, as instituições cortam funcionários e reduzem o atendimento. Apesar do anúncio recente, a falta de verba é anterior. Sem receber os repasses, cerca de 50 centros terapêuticos fecharam as portas neste ano, principalmente em áreas rurais, informa reportagem da agência de notícias Associated Press.
O que diz o governo?
A gestão Milei justifica os cortes como uma reforma necessária contra desperdícios administrativos. Segundo o governo, as medidas buscariam enxugar gastos "desnecessários" e garantir o superávit orçamentário para pagar os juros da dívida pública.