- 109 migrantes morreram e 116 desapareceram após naufrágio em Djibuti, na rota para o Iêmen.
- Corpos foram recuperados e 80 sobreviventes, de nacionalidade etíope, recebem assistência.
- A OIM informa que mais de 900 migrantes morreram ou desapareceram em 2025 na rota marítima.
- Travessia pelo estreito de Bab el-Mandeb é uma das rotas mais perigosas da região.
- A OIM pede reforço internacional para apoio ao Djibuti e operações de resgate.
Ao menos 109 migrantes morreram e mais de 116 estão desaparecidos após o naufrágio de uma embarcação que transportava cerca de 350 pessoas na costa do Djibuti, no leste da África. O barco seguia em direção ao Iêmen quando virou durante a noite de quinta-feira (8) para sexta-feira (9), nas proximidades de Guhere, ao norte da cidade portuária de Obock. Entre os mortos estão 15 crianças, e as autoridades locais continuam as operações de busca e resgate, segundo a Organização Internacional para as Migrações (OIM), agência ligada à Organização das Nações Unidas (ONU).
Corpos foram recuperados e sobreviventes recebem assistência
Entre os 109 corpos recuperados, estão 52 homens, 42 mulheres e 15 crianças, sendo nove meninas e seis meninos. Mais de 80 pessoas sobreviveram ao acidente, todas de nacionalidade etíope.
A OIM informou que presta assistência a 64 sobreviventes em seu centro de atendimento a migrantes em Obock. A organização também atua em conjunto com as autoridades locais para oferecer apoio emergencial às pessoas resgatadas.
“Esta é uma perda devastadora de vidas. Nossos pensamentos estão com os sobreviventes e as famílias que perderam entes queridos ou continuam sem notícias de seus parentes”, afirmou Alexandre Coissac, chefe da missão da OIM no Djibuti.
Segundo a agência, o acidente evidencia os riscos enfrentados por pessoas que deixam seus países em busca de oportunidades econômicas, segurança e melhores condições de vida.
Travessia pelo estreito de Bab el-Mandeb
De acordo com relatos de sobreviventes, a embarcação havia partido do Djibuti e tentava atravessar o estreito de Bab el-Mandeb, passagem marítima que separa o Chifre da África da Península Arábica e conecta o mar Vermelho ao golfo de Áden.
Todos os anos, dezenas de milhares de pessoas percorrem essa rota para chegar ao Iêmen. Muitas pretendem seguir posteriormente para países do Golfo, onde buscam trabalho e melhores condições econômicas.
A viagem é considerada uma das rotas migratórias mais perigosas da região. Pobreza, insegurança e efeitos das mudanças climáticas estão entre os fatores que levam pessoas do Chifre da África a enfrentar a travessia marítima, apesar dos riscos e da instabilidade no Iêmen.
Mais de 900 migrantes morreram ou desapareceram em 2025
A OIM registrou mais de 20 mil deslocamentos da Etiópia para o Djibuti desde 10 de setembro. Em 2025, mais de 900 migrantes morreram ou desapareceram durante a travessia marítima entre o Chifre da África e o Iêmen. Segundo a agência, o número de pessoas que tentaram percorrer essa rota aumentou 18% no ano passado.
O naufrágio mais recente ocorreu meses depois de outro acidente na mesma região. Em março de 2026, uma embarcação que transportava migrantes afundou na costa do Djibuti, deixando nove mortos e 45 desaparecidos, conforme dados da OIM.
Diante da sequência de acidentes, a organização pediu o reforço do apoio internacional ao Djibuti, incluindo recursos para operações de busca e resgate e atendimento emergencial aos sobreviventes.