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Pai teria matado filha a tiros após discussão sobre Donald Trump nos EUA

Caso ocorreu no Texas em 2025 e é investigado pela Justiça britânica

Horas depois de discussão sobre política, pai matou filha a tiros no Texas | Foto: Reprodução | Facebook
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Uma britânica de 23 anos foi morta a tiros pelo próprio pai no dia 10 de janeiro de 2025, em Prosper, no Texas (EUA), horas após uma discussão sobre o presidente Donald Trump. O caso voltou a ganhar repercussão nesta semana com a abertura de um inquérito no Tribunal de Cheshire, no Reino Unido, onde Lucy Harrison nasceu e onde familiares e testemunhas prestaram novos depoimentos.

Na época, a polícia do Texas investigou a morte como possível homicídio culposo, quando não há intenção de matar. No entanto, um grande júri do condado de Collin decidiu não apresentar denúncia criminal contra o pai, Kris Harrison.

Lucy Harrison foi morta na casa de seu pai em Prosper, no Texas - Foto: Reprodução/Facebook

Discussão

Durante o inquérito, o namorado de Lucy, Sam Littler, relatou que houve uma “grande discussão” entre a jovem e o pai na manhã do crime. Segundo ele, enquanto assistiam à televisão, os dois discutiram sobre Trump, que estava prestes a iniciar seu segundo mandato.

De acordo com Littler, Lucy questionou o pai:

“Como você se sentiria que eu fosse a garota naquela situação e tivesse sido abusada sexualmente?”

A pergunta fazia referência a acusações de abuso sexual envolvendo o presidente americano. Segundo o depoimento, Kris teria respondido que tinha outras duas filhas morando com ele e que isso não o afetaria tanto, deixando Lucy “bastante abalada”.

O disparo

Ainda conforme o relato, cerca de 30 minutos antes de Lucy e o namorado saírem para o aeroporto, o pai chamou a jovem até um quarto no térreo da residência. Aproximadamente 15 segundos depois, Littler ouviu um disparo.

“Lembro de entrar correndo no quarto e ver Lucy caída no chão, perto da porta do banheiro, enquanto Kris gritava coisas sem sentido”, afirmou.

Lucy foi atingida no peito e morreu no local.

Versão do pai

Em declaração enviada ao tribunal, Kris Harrison afirmou que ele e a filha assistiam a uma reportagem sobre violência armada quando contou que possuía uma pistola semiautomática Glock calibre 9 mm e perguntou se ela gostaria de vê-la.

Segundo ele, ao pegar a arma, ouviu o disparo.

“Ao pegar a arma para mostrar a ela, eu de repente ouvi um barulho alto. Não entendi o que tinha acontecido. Lucy caiu no chão na mesma hora”, declarou.

Ele disse não se lembrar se seu dedo estava no gatilho e negou ter discutido sobre o assunto anteriormente com a filha.

Donald Trump tomou posse do segundo mandato 10 dias após a morte de Lucy - Foto: Reuters

Álcool e investigação

O inquérito apontou ainda que Kris Harrison tinha histórico de dependência alcoólica. Ele admitiu ter tido uma recaída no dia do disparo e afirmou ter ingerido cerca de 500 ml de vinho branco.

Imagens de câmeras de segurança mostraram que ele comprou duas garrafas de vinho Chardonnay pouco antes das 13h. A policial Luciana Escalera, cujo depoimento foi lido na audiência, relatou ter sentido cheiro de álcool no hálito do pai quando foi chamada à residência.

Desdobramentos

Durante a audiência, a defesa de Harrison pediu o afastamento da legista responsável, alegando possível falta de imparcialidade, mas o pedido foi rejeitado.

Em nota divulgada por seus advogados, Kris Harrison afirmou que “aceitava plenamente” as consequências de seus atos.

“Não há um dia em que eu não sinta o peso dessa perda, um peso que vou carregar pelo resto da minha vida.”

A mãe de Lucy, Jane Coates, descreveu a filha como uma “verdadeira força da natureza” e destacou que ela “adorava debater sobre assuntos que eram muito importantes para ela”.

A audiência foi adiada para esta quarta-feira (11), quando a legista deverá apresentar as conclusões do inquérito.

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