- Papa Leão XIV afirma que pena de morte é inadmissível e ataca a dignidade humana.
- Declaração ocorre em meio à polêmica sobre transmissão ao vivo da execução de Hasan.
- Vaticano critica proposta de transformar execução em espetáculo público.
- Bispos americanos condenam ideia de tornar morte de condenado em evento público.
- Execução de Hasan está prevista para 3 de dezembro na base militar de Fort Hood.
O papa Leão XIV afirmou neste sábado (10) que a pena de morte é “inadmissível” e representa um ataque à dignidade humana. A declaração ocorre em meio à controvérsia sobre os planos do governo dos Estados Unidos de transmitir ao vivo a execução de Nidal Malik Hasan, ex-major do Exército americano condenado pelo assassinato de 13 pessoas.
A manifestação foi publicada nas redes sociais por ocasião do Dia Mundial contra a Pena de Morte. Sem citar diretamente o governo americano, o pontífice defendeu que é possível proteger a sociedade e aplicar a Justiça sem executar condenados.
Em publicação na rede social X, Leão XIV afirmou que os sistemas prisionais atuais permitem proteger a população sem retirar dos presos a possibilidade de redenção. A mensagem foi acompanhada da hashtag #NoDeathPenalty, que significa “sem pena de morte”.
Execução está prevista para dezembro
A declaração do papa foi divulgada dois dias depois de o Pentágono anunciar a intenção de transmitir ao vivo o fuzilamento de Hasan, condenado pelo ataque à base militar de Fort Hood, no Texas, em 2009. Na ocasião, 13 pessoas morreram e outras 32 ficaram feridas. Hasan foi condenado à morte em 2013, e a execução está prevista para 3 de dezembro, na mesma base militar onde ocorreu o ataque.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, autorizou a execução. Na sexta-feira (9), porém, afirmou que o Departamento de Defesa ainda não havia tomado uma decisão definitiva sobre a transmissão ao vivo.
Vaticano critica transformar execução em espetáculo
Também na sexta-feira (9), o secretário de Estado do Vaticano, cardeal Pietro Parolin, criticou diretamente a proposta americana.
“Certamente, não é aceitável que se transforme a morte em espetáculo. Por mais que, naturalmente, a pessoa seja culpada, existem outros meios”, declarou Parolin, segundo o Vatican News, serviço oficial de notícias do Vaticano.
O cardeal reiterou a posição da Igreja Católica contra a pena capital, considerada incompatível com a dignidade humana. Segundo ele, a execução de condenados não é um instrumento eficaz de prevenção de crimes.
Bispos americanos também se manifestam
A proposta do Pentágono também foi criticada por representantes da Igreja Católica nos Estados Unidos. O presidente da Conferência dos Bispos Católicos dos Estados Unidos, arcebispo Paul Coakley, afirmou estar chocado e profundamente triste com o anúncio.
Em comunicado divulgado na sexta-feira, Coakley declarou que, embora os crimes atribuídos a Hasan sejam graves, isso não justifica transformar sua morte em uma transmissão pública. O religioso classificou a proposta como uma promoção da cultura da morte e pediu que ela fosse reconsiderada.
Se realizada, a execução de Hasan será a primeira promovida pelas Forças Armadas americanas desde 1961. O último fuzilamento militar ocorreu em 1945.