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Papa faz pedido histórico de perdão pelo papel da Igreja na legitimação da escravidão

Pontífice reconheceu a participação histórica do Vaticano na legitimação da escravidão e afirmou que o tema representa uma “ferida na memória cristã” da Igreja Católica.

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  • Papa Leão XIV pede perdão pela Igreja Católica no tráfico transatlântico de pessoas escravizadas.
  • Encíclica "Magnifica Humanitas" aborda inteligência artificial e novas formas de exploração.
  • Papa reconhece papel da Santa Sé em autorizar soberanos europeus a subjugar e escravizar "infiéis".
  • Vaticano responde a décadas de reivindicações de católicos negros dos Estados Unidos.
Papa faz pedido histórico de perdão pelo papel da Igreja na legitimação da escravidão | Foto: @Vatican Media
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O Papa Leão XIV fez nesta segunda-feira (25) um pedido histórico de perdão pelo papel da própria Santa Sé na legitimação da escravidão e pela demora de séculos da Igreja Católica em condenar a prática. O pontífice classificou esse passado como uma “ferida na memória cristã”.

Papados anteriores já haviam pedido desculpas pelo envolvimento de cristãos no tráfico transatlântico de pessoas escravizadas. No entanto, nenhum papa havia reconhecido publicamente — nem pedido perdão — pelo papel de antigos pontífices em autorizar soberanos europeus a subjugar e escravizar “infiéis”.

Encíclica aborda inteligência artificial e novas formas de escravidão

Primeiro papa nascido nos Estados Unidos, Papa Leão XIV, cuja história familiar inclui pessoas escravizadas e proprietários de escravos, apresentou o pedido de desculpas em sua primeira encíclica, Magnifica Humanitas (“Humanidade Magnífica”). O documento trata dos desafios de proteger a humanidade diante do avanço da inteligência artificial.

Ao abordar o tema, o papa relacionou o tráfico transatlântico de escravizados a novas formas de exploração e colonialismo ligadas à revolução digital, incluindo o trabalho precário utilizado na extração de minerais raros necessários para chips de IA.

Vaticano responde a reivindicações históricas

O gesto responde a décadas de reivindicações de católicos negros dos Estados Unidos, ativistas e estudiosos que cobravam da Santa Sé um reconhecimento formal de seu papel no comércio colonial de seres humanos.

É impossível não sentir profunda tristeza ao contemplar o imenso sofrimento e humilhação suportados por tantos, em contraste com sua dignidade incomensurável como pessoas infinitamente amadas pelo Senhor, escreveu o papa.

Por isso, em nome da Igreja, peço sinceramente perdão.

Foto: Reprodução/Vatican Media

Bulas papais legitimaram escravidão

Embora o Vaticano sustente que sempre defendeu a dignidade humana, uma série de decretos do século XV autorizou soberanos portugueses a conquistar territórios na África e nas Américas e escravizar não cristãos. Em 1452, o papa Nicolau V publicou a bula papal Dum Diversas, concedendo ao rei de Portugal o direito de “invadir, conquistar, combater e subjugar” povos considerados “sarracenos, pagãos e outros infiéis”.

O texto também autorizava a redução dessas populações à “escravidão perpétua”.

Doutrina da Descoberta foi base do colonialismo

A bula Dum Diversas e o documento Romanus Pontifex serviram de fundamento para a chamada Doutrina da Descoberta, utilizada para legitimar a ocupação colonial de terras na África e nas Américas. As permissões concedidas por Nicolau V foram posteriormente confirmadas ou renovadas pelos papas Calisto III, Sisto IV e Leão X.

Em 2023, o Vaticano repudiou formalmente a Doutrina da Descoberta, embora as bulas papais nunca tenham sido oficialmente anuladas.A Santa Sé argumenta que um documento posterior, a bula Sublimis Deus, reafirmou que povos indígenas não deveriam ser privados de liberdade, propriedades ou submetidos à escravidão.

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