O papa Leão XIV afirmou neste sábado (18) que reportagens sobre declarações feitas por ele durante a viagem à África não retrataram os fatos com total precisão e buscou minimizar o atrito recente com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Durante conversa com jornalistas a bordo do voo para Angola, terceira etapa da viagem de dez dias pelo continente africano, o pontífice disse que comentários feitos anteriormente em Camarões, quando afirmou que o mundo estava sendo “devastado por um punhado de tiranos”, não tinham como alvo Trump.
Segundo Leão XIV, o discurso havia sido preparado duas semanas antes, antes mesmo das críticas públicas feitas pelo presidente norte-americano.
No domingo, Trump chamou o papa de “fraco no combate ao crime e terrível em política externa” em publicação nas redes sociais. O presidente também divulgou uma imagem criada por inteligência artificial em que aparecia como uma figura semelhante a Jesus, postagem que gerou reações negativas e depois foi removida.
Nos últimos dias, Trump tem reagido a críticas do pontífice sobre a guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã. O papa informou que continuará se manifestando sobre o conflito.
Na quinta-feira, Leão XIV voltou a condenar líderes que investem bilhões em guerras e disse que o mundo está sendo destruído por poucos tiranos, sem citar nomes.
“Acabou sendo interpretado como se eu estivesse tentando debater com o presidente, o que não é do meu interesse”, declarou neste sábado.
Nascido em Chicago, Leão XIV manteve postura mais discreta nos primeiros meses de pontificado, mas adotou tom mais firme durante a viagem à África, com críticas à guerra, à desigualdade e a lideranças globais.
A agenda no continente é uma das mais extensas já realizadas por um papa, com visitas a 11 cidades de quatro países e cerca de 18 mil quilômetros percorridos em 18 voos.