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Presidente do Paraguai, Santiago Peña, anuncia renúncia após crise bancária

Decisão foi anunciada nesta quinta-feira (5), em meio à pressão política provocada pelo colapso do banco Ueno; Congresso precisa aceitar a saída do presidente

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  • Presidente do Paraguai anuncia renúncia após crise provocada pelo fechamento do banco digital Ueno.
  • Crise bancária gerou protestos e processo de impeachment contra Santiago Peña, que ainda precisa ser aprovado pelo Congresso.
  • Ueno, controlado pelo Grupo Vázquez, tinha 3 milhões de clientes e US$ 850 milhões em depósitos, incluindo recursos previdenciários.
  • Deputados apresentaram pedido de impeachment contra Peña, acusando conflitos de interesse e manipulação regulatória.
  • Governo promete devolver valores aos clientes e acelera investigações sobre irregularidades no banco fechado.
Santiago Peña, economista e ex-ministro da Fazenda durante o governo de Cartes, é o atual candidato presidencial do Colorado | Foto: REUTERS
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O presidente do Paraguai, Santiago Peña, anunciou nesta quinta-feira (5) que vai renunciar ao cargo. A decisão ocorre em meio à crise provocada pelo fechamento do banco digital Ueno, que desencadeou protestos no país e levou à abertura de um processo de impeachment contra o chefe do Executivo.

Segundo a imprensa paraguaia, a renúncia ainda precisa ser aceita pelo Congresso Nacional. Uma sessão para tratar do assunto deve ser convocada.

A crise ganhou força depois que o Banco Central do Paraguai iniciou, na terça-feira (3), o processo de liquidação do Ueno. A instituição foi fechada após a identificação de um déficit nos índices de solvência, relacionado a empréstimos concedidos a empresas vinculadas ao grupo proprietário do banco.

Pessoas fazem fila para tentar retirar dinheiro em banco em Assunção, no Paraguai, diante de temor gerado por crise bancária no país, em 3 de novembro de 2026 | Foto: Daniel Duarte/ AFP

Crise atingiu milhões de clientes

O Ueno, controlado pelo Grupo Vázquez, tinha cerca de 3 milhões de clientes e concentrava aproximadamente US$ 850 milhões em depósitos públicos, incluindo recursos do Instituto de Previdência Social do Paraguai.

Peña foi acionista do grupo proprietário da instituição financeira até março de 2025. A ligação do presidente com o banco passou a ser questionada pela oposição, que apontou possíveis conflitos de interesse, manipulação regulatória, desvio de recursos previdenciários e encobrimento institucional por parte do Banco Central.

Durante uma sessão no Congresso, a deputada da oposição Rocío Vallejo criticou a condução do caso e responsabilizou o presidente pelos prejuízos provocados aos clientes.

“Nunca antes alguém prejudicou, em um único dia, 3 milhões de pessoas na República do Paraguai, e o senhor conseguiu isso, senhor presidente... o senhor é a origem desse monstro que criou”, declarou.

Deputado da oposição no Paraguai segura cartaz em ato que pede impeachment do presidente Santiago Peña após fechamento de banco virtual que gerou crise bancária no país, em 5 de novembro de 2026 | Foto: Cesar Olmedo/ Reuters

Pedido de impeachment foi apresentado por deputados

Antes do anúncio da renúncia, 35 deputados haviam apresentado uma acusação contra Peña e solicitado a convocação de uma sessão extraordinária para discutir o processo de impeachment. A iniciativa ocorreu em meio à pressão de parlamentares e às manifestações de clientes afetados pelo fechamento do banco.

A crise também provocou a saída de Carlos Carvallo da presidência do Banco Central do Paraguai. Ele deixou o cargo a pedido de Peña, enquanto as autoridades iniciavam os procedimentos relacionados à liquidação do Ueno.

O Ministério Público paraguaio solicitou uma investigação criminal sobre o caso e ordenou a prisão de oito pessoas ligadas à instituição. Além disso, 27 pessoas foram formalmente acusadas por supostas irregularidades relacionadas ao banco, e a Justiça determinou o bloqueio de bens.

Governo promete devolução dos valores aos clientes

Em manifestações anteriores ao anúncio da renúncia, Peña afirmou, em publicação na rede social X, que os responsáveis pelas irregularidades deveriam responder perante a Justiça, sem exceções. O presidente também promulgou uma lei para acelerar a devolução dos valores aos poupadores afetados.

“Peço veementemente a todos os setores políticos que coloquem o interesse dos poupadores acima de qualquer outro interesse”, afirmou.

A Associação de Bancos do Paraguai (Asoban) informou que as instituições financeiras estavam trabalhando para atender ao aumento na procura de clientes que buscavam transferir suas contas do Ueno. A entidade também declarou que o restante do sistema bancário do país continuava operando normalmente.

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