António José Seguro, do Partido Socialista, é apontado como o novo presidente de Portugal, segundo pesquisas de boca de urna e dados preliminares da apuração divulgados neste domingo (8). Com 70% dos votos contabilizados, o candidato de esquerda soma 64% dos votos válidos, contra 36% de André Ventura, do partido de extrema direita Chega.
De acordo com a agência de notícias Reuters, a diferença se manteve consistente ao longo da apuração parcial. Pesquisas de boca de urna divulgadas após o fechamento das urnas — às 19h no horário local (16h em Brasília), também indicaram a vitória de Seguro, com percentuais entre 67% e 73%, enquanto Ventura aparece com 27% a 33%.
Cenário eleitoral e rejeição
As pesquisas de intenção de voto publicadas nas semanas anteriores já sinalizavam o favoritismo de António José Seguro, que havia liderado o primeiro turno, com 31% dos votos, contra 23,49% de André Ventura. O candidato do Chega enfrentou alto índice de rejeição, estimado em cerca de 60% do eleitorado, segundo levantamentos divulgados durante a campanha.
Esta foi a primeira vez em 40 anos que Portugal realizou um segundo turno nas eleições presidenciais, reflexo da fragmentação do cenário político no país. O cargo vinha sendo ocupado há quase uma década por Marcelo Rebelo de Sousa, de centro-direita, cujo mandato foi marcado por uma postura conciliadora e pela condução do país em meio a sucessivas crises políticas.
Eleições afetadas por tempestades
As eleições deste domingo também foram impactadas pelas fortes tempestades que atingem Portugal nas últimas semanas. Em alguns municípios das regiões sul e central, o segundo turno foi adiado por uma semana. Segundo a Reuters, cerca de 37 mil eleitores, o equivalente a 0,3% do total, foram afetados pela mudança.
Ao votar, André Ventura criticou a manutenção da data do pleito nos municípios atingidos pelas chuvas.
“Acho que foi desrespeitoso porque transformou alguns portugueses em cidadãos de primeira classe e outros em cidadãos de segunda classe. Acho que em muitas partes do país, as pessoas se sentem desrespeitadas”, afirmou.
Já António José Seguro manifestou solidariedade às famílias afetadas, mas defendeu a participação popular:
“Espero que estas melhores condições meteorológicas permitam que as pessoas saiam para votar. Este é o momento em que o povo é soberano, em que cada voto conta e decide verdadeiramente o futuro do nosso país”, declarou o candidato socialista.
No fim de janeiro, a tempestade Kristin deixou cinco mortos, causou destruição em várias regiões e deixou quase meio milhão de pessoas sem energia, contexto que marcou o segundo turno presidencial no país.