- 60 mil migrantes entraram em Ceuta nas últimas 24 horas, segundo o Ministério do Interior da Espanha.
- 43 migrantes morreram ao tentar chegar a Ceuta a nado, segundo autoridades espanholas.
- Espanha mobilizou Forças Armadas para reforçar segurança na fronteira com o Marrocos.
- Muitos migrantes dormem em ruas e praças devido à superlotação dos centros de acolhimento.
- Alguns migrantes decidem retornar ao Marrocos devido à falta de recursos e assistência.
Cerca de 60 mil migrantes entraram no enclave espanhol de Ceuta, no norte da África, nas últimas 24 horas, segundo informou o Ministério do Interior da Espanha nesta sexta-feira (31). As entradas ocorreram por terra e mar, a partir do Marrocos.
Ceuta é um território espanhol localizado no continente africano e representa uma das principais portas de entrada para migrantes que buscam chegar à Espanha ou permanecer em território europeu.
Autoridades confirmam mortes
As autoridades espanholas confirmaram a morte de 43 migrantes que tentavam alcançar Ceuta a nado saindo do Marrocos. Segundo Rachid Sbihin, chefe da associação que representa os oficiais da Guarda Civil em Ceuta, parte das vítimas morreu por afogamento, enquanto outras perderam a vida durante um tumulto.
Espanha envia Forças Armadas à fronteira
Diante da crise migratória, o governo espanhol mobilizou as Forças Armadas para reforçar a segurança na fronteira com o Marrocos. As autoridades de Ceuta haviam solicitado apoio ao governo central, em Madri, após o agravamento da situação, que culminou com grandes grupos de migrantes rompendo a cerca da fronteira.
Segundo o governo, os militares atuarão em apoio à Guarda Civil para reforçar a segurança no enclave.
Com os centros de acolhimento lotados, muitos migrantes passaram a dormir em ruas, praças, parques e nas praias onde desembarcaram. Voluntários da Cruz Vermelha e de outras organizações não governamentais (ONGs) distribuem alimentos, água e roupas, mas a demanda supera a capacidade de atendimento.
Migrantes decidem retornar ao Marrocos
De acordo com a imprensa local, parte dos migrantes que conseguiu entrar em Ceuta avalia retornar ao Marrocos devido à falta de transporte, recursos e assistência. Em diversos casos, soldados espanhóis acompanham aqueles que solicitam ajuda até as passagens de fronteira. Alguns, porém, optam por retornar a nado.
Migrantes também relataram episódios de violência, agressões, apedrejamentos, ameaças e maus-tratos atribuídos a moradores de alguns bairros da cidade.
O ministro do Interior da França, Laurent Núñez, informou que o país reforçará os controles na fronteira com a Espanha. Segundo o ministro, o governo francês mantém contato com as autoridades espanholas para acompanhar os desdobramentos da crise provocada pelo fluxo de migrantes vindos do Marrocos.