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Trio leva o Nobel de Medicina por avanços na neurociência; prêmio de R$ 6,2 milhões

Os três cientistas dividirão o prêmio de 12 milhões de coroas suecas (R$ 6,2 milhões) concedido pela Assembleia do Nobel no Instituto Karolinska, da Suécia.

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  • Karl Deisseroth, Peter Hegemann e Georg Nagel ganham Nobel de Fisiologia ou Medicina de 2026 por descobertas em optogenética.
  • Os cientistas desenvolveram métodos para controlar e observar atividade de neurônios usando luz em cérebros vivos.
  • Descoberta começou com estudos sobre uma alga, que revelou a proteína canalrodopsina sensível à luz azul.
  • Optogenética permite investigar circuitos neurais e está sendo estudada para aplicações médicas, como restaurar a visão.
  • Técnica revolucionou neurociência ao permitir estudos mais precisos de relações causa-efeito em comportamentos e emoções.
Trio leva o Nobel de Medicina por avanços na neurociência; prêmio de R$ 6,2 milhões | Foto: Divulgação
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Karl Deisseroth, Peter Hegemann e Georg Nagel receberam o Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina de 2026 por descobertas relacionadas aos canais iônicos ativados pela luz e à optogenética. O anúncio foi feito nesta segunda-feira (5) pela Assembleia do Nobel do Instituto Karolinska, na Suécia.

Os três cientistas dividirão o prêmio de 12 milhões de coroas suecas, cerca de R$ 6,2 milhões. As pesquisas permitiram desenvolver métodos para controlar e observar a atividade de células nervosas no cérebro vivo por meio da luz. A técnica abriu novas possibilidades para estudar circuitos neurais relacionados a memórias, sentimentos e comportamentos e também passou a ser investigada em aplicações médicas, incluindo pesquisas para restaurar a visão.

Descoberta começou com uma alga

A história da pesquisa começou com o estudo da Chlamydomonas, uma alga unicelular. Peter Hegemann buscava entender como o organismo consegue se deslocar em direção a uma fonte de luz.

No início dos anos 2000, Hegemann e Georg Nagel identificaram na superfície da alga uma proteína chamada canalrodopsina. Quando exposta à luz azul, a proteína abre um canal na membrana celular, permitindo a entrada de íons e provocando uma alteração elétrica.

Os pesquisadores descobriram ainda que a proteína poderia ser introduzida em outros tipos de células, que passavam a responder à luz.

Vencedores do Nobel de Medicina Karl Deisseroth, Peter Hegemann e Georg Nagel. — Foto: Reprodução/Nobel Prize

Luz passa a controlar neurônios

Karl Deisseroth levou o mecanismo para o estudo das células nervosas. Ele introduziu em neurônios de ratos o gene responsável pela produção da canalrodopsina. Quando essas células eram iluminadas com luz azul, os pesquisadores conseguiam desencadear um sinal nervoso. O mecanismo funcionava como uma espécie de interruptor controlado pela luz.

O avanço foi publicado em 2005. Dois anos depois, Deisseroth demonstrou o funcionamento do método no cérebro de camundongos vivos. A técnica passou a ser conhecida como optogenética, combinação de ferramentas ópticas e genéticas para controlar a atividade de células.

Método permite investigar o cérebro vivo

A optogenética possibilitou aos pesquisadores investigar de forma mais precisa os circuitos neurais envolvidos em diferentes memórias, comportamentos e respostas emocionais.

Antes desse método, pesquisadores conseguiam identificar regiões do cérebro associadas a determinadas funções, mas tinham mais dificuldade para estabelecer relações de causa e efeito entre a atividade de células específicas e determinado comportamento.

A optogenética oferece oportunidades para mapear o cérebro de uma maneira que antes só podíamos sonhar, afirmou Per Svenningsson, presidente do Comitê do Nobel de Fisiologia ou Medicina.

Pesquisas buscam aplicações médicas

Além da pesquisa básica em neurociência, a técnica passou a ser estudada em aplicações clínicas. Entre as possibilidades investigadas estão tratamentos para pessoas com deficiência visual, com pesquisas que utilizam princípios da optogenética para tentar restaurar a capacidade de percepção de luz e imagens.

O Nobel de 2026 reconhece, portanto, descobertas que transformaram a capacidade dos cientistas de controlar e observar a atividade de células nervosas em organismos vivos, ampliando o estudo dos mecanismos envolvidos no funcionamento do cérebro.

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