- Mais de 100 militares britânicos realizaram treinamento nas Ilhas Malvinas para preparar resposta a possível invasão argentina.
- Exercício incluiu caminhada noturna de 32 km e simulação de ataque anfíbio, reproduzindo situações da Guerra das Malvinas.
- Tensão diplomática entre Reino Unido e Argentina aumenta com reivindicações sobre soberania e sanções contra empresas de petróleo.
- Presidente argentino classificou exploração de petróleo nas ilhas como ilegal e contestou presença britânica no arquipélago.
- Disputa pela soberania das Ilhas Malvinas envolve reivindicações históricas e continua após quase 45 anos da Guerra de 1982.
Mais de 100 militares britânicos participaram de um treinamento nas Ilhas Malvinas para preparar uma possível resposta a uma invasão argentina, segundo o jornal britânico The Times. O exercício durou seis dias, no início de outubro, e incluiu uma caminhada noturna de 32 quilômetros e uma simulação de ataque anfíbio. A atividade ocorre em meio ao agravamento das tensões diplomáticas entre o Reino Unido e a Argentina, que mantém uma disputa histórica pela soberania do arquipélago no Atlântico Sul.
De acordo com o jornal, militares britânicos atuaram ao lado de reservistas locais em um exercício que reproduziu situações semelhantes às enfrentadas durante a Guerra das Malvinas, em 1982. A atividade buscou preparar as tropas para possíveis operações militares na região.
O comandante da companhia, major Nunkoosing, afirmou ao The Times que o treinamento permitiu aos soldados conhecer melhor as dificuldades enfrentadas pelos militares britânicos durante o conflito.
“A oportunidade de seguir os passos de nossos antepassados e ter uma pequena ideia do que eles enfrentaram para alcançar a vitória em 1982”, declarou.
Disputa por petróleo aumenta tensão entre os países
A realização do exercício ocorre em um momento de tensão entre Londres e Buenos Aires. O presidente argentino, Javier Milei, voltou a colocar a reivindicação sobre as Malvinas no centro do debate político e anunciou sanções contra empresas envolvidas na exploração de petróleo nas proximidades das ilhas.
Em manifestação na Organização das Nações Unidas (ONU), Milei classificou a exploração de combustíveis fósseis na região como “ilegal e ilegítima”. O presidente também contestou a presença britânica no arquipélago e descreveu os moradores como uma população “implantada pela potência ocupante em um território cuja soberania é disputada”.
As declarações refletem a posição argentina de que as ilhas pertencem ao país. O Reino Unido, por sua vez, mantém o controle do território e defende o direito dos habitantes locais de decidir seu próprio futuro.
Por que Argentina e Reino Unido disputam as Malvinas?
As Ilhas Malvinas ficam no Atlântico Sul, a cerca de 500 quilômetros da costa continental argentina e a aproximadamente 13 mil quilômetros do Reino Unido. O arquipélago é formado por duas ilhas principais, Malvina Oriental e Malvina Ocidental, além de outras 778 ilhas menores.
A disputa pela soberania envolve reivindicações históricas dos dois países. A Argentina sustenta que herdou o território da Espanha após conquistar sua independência, em 1816, e considera ilegal a tomada britânica das ilhas em 1833.
O Reino Unido, que administra o arquipélago desde aquele ano, argumenta que os moradores têm o direito de determinar o futuro político do território.
As ilhas têm cerca de 3.660 habitantes e contam com uma assembleia legislativa eleita, responsável pela administração dos assuntos internos. A maior parte da população é de origem britânica, mas também há moradores provenientes de Santa Helena, do Chile e das Filipinas.
Guerra de 1982 terminou com vitória britânica
A disputa territorial levou os dois países a uma guerra em abril de 1982, quando o governo militar argentino, liderado por Leopoldo Galtieri, ordenou a invasão das ilhas. A ofensiva ocorreu em meio à expectativa de que o Reino Unido não responderia militarmente.
A então primeira-ministra britânica, Margaret Thatcher, enviou uma força-tarefa naval para recuperar o arquipélago. Após 74 dias de combates, a Argentina se rendeu, em junho daquele ano, e os britânicos retomaram o controle das ilhas.
O conflito deixou 649 argentinos mortos, além de 255 militares britânicos e três habitantes das Malvinas. A derrota argentina também contribuiu para acelerar a queda da ditadura militar no país.
No Reino Unido, a vitória fortaleceu politicamente o governo Thatcher e foi celebrada pela imprensa britânica. Na Argentina, a derrota e a continuidade do controle britânico alimentaram o ressentimento em torno da disputa territorial.
Mais de quatro décadas depois da guerra, a soberania das Malvinas continua sendo motivo de divergência entre os dois países, enquanto a presença militar britânica e as recentes declarações argentinas mantêm o tema em evidência no cenário internacional.