- Trump reconhece que guerra contra Irã contribuiu para derrota republicana nas eleições de meio de mandato.
- Presidente afirma que alta dos preços da gasolina prejudicou desempenho da legenda republicana nas eleições.
- Trump defende que ataques ao Irã foram necessários para evitar que o país desenvolva armas nucleares.
- Presidente diz que poderá usar poder de veto para barrar projetos aprovados pelo Congresso democrata.
- Guerra contra Irã elevou custos de vida e gerou preocupação entre eleitores, segundo pesquisa da Reuters/Ipsos.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reconheceu nesta quarta-feira (4) que a guerra contra o Irã contribuiu para a derrota do Partido Republicano nas eleições de meio de mandato, as chamadas midterms. Em conversa com jornalistas, ele concordou com a avaliação do vice-presidente J.D. Vance e apontou a alta dos preços da gasolina como um dos fatores que prejudicaram o desempenho da legenda.
“Bem, acho que isso é em grande parte verdade, porque fez a gasolina subir um pouco no curto prazo, e provavelmente é verdade. Mas, ao mesmo tempo, se eu tivesse que fazer de novo, eu teria que fazer de novo, porque, a longo prazo, é a única resposta. Não se pode deixar o Irã ter uma arma nuclear”, afirmou Trump.
Questionado se os ataques ao Irã valeram a pena, o presidente respondeu que sim e voltou a defender a ofensiva.
“Bem, não há escolha... Tem que ser feito. Não se pode deixar o Irã ter uma arma nuclear, ou tudo o que vocês veem aqui pode, um dia, deixar de existir”, declarou.
Trump fala em diálogo, mas ameaça usar poder de veto
Com a vitória dos democratas, que conquistaram a maioria na Câmara e no Senado, Trump afirmou que acredita que poderá manter uma relação de diálogo com a oposição. O presidente, no entanto, lembrou que tem poder de veto sobre projetos aprovados pelo Congresso.
“Provavelmente vou me dar bem com os democratas, a menos que queiram ser destrutivos, mas nós temos poder de veto. Então, se não gostarmos do que estão fazendo...”, disse.
Em seguida, acrescentou que integrantes do partido adversário já o procuraram para conversar.
A possibilidade de recorrer ao veto já havia sido mencionada por Trump antes da divulgação dos resultados. Em entrevista ao podcast Pod Force One, do New York Post, ele afirmou que poderia se tornar o “Sr. Veto” caso os democratas conquistassem o controle do Congresso.
“Acho que vou me tornar o Sr. Veto. Eles vão enviar algumas coisas. Você veta. E, eventualmente, depois de um ou dois meses sendo vetados, eles só estão perdendo tempo, vêm até nós e fazemos um acordo”, declarou na ocasião.
Trump também voltou a afirmar que teria vencido as eleições caso seu nome estivesse nas cédulas. Para justificar a declaração, mencionou a presença de milhares de pessoas nos comícios que realizou durante a campanha.
Primeira aparição após derrota ocorreu na Casa Branca
A conversa com jornalistas marcou a primeira aparição pública de Trump após os resultados das midterms. Segundo a Reuters, o presidente convocou a imprensa ao canteiro de obras da Casa Branca para falar sobre o salão de baile que encomendou para a sede do governo.
“Será o salão de baile mais bonito, eu acho, de qualquer lugar do mundo”, afirmou Trump, diante da última viga de aço da construção, que havia sido assinada pelos trabalhadores da obra. O presidente também deixou sua assinatura na estrutura.
Guerra elevou preços e aumentou preocupação dos eleitores
A guerra contra o Irã, iniciada pelos Estados Unidos e por Israel em 28 de fevereiro, provocou uma disparada nos preços dos combustíveis, das passagens aéreas e na inflação geral. Estimativas apontam que o conflito pode ter custado até US$ 100 bilhões aos cofres americanos, o equivalente a cerca de R$ 508 bilhões, segundo fontes do Pentágono.
Uma pesquisa da Reuters/Ipsos realizada na véspera das midterms mostrou que aproximadamente 48% dos eleitores americanos apontaram o custo de vida como a principal preocupação na hora de votar. O levantamento também indicou que apenas 25% consideravam que a ação militar contra o Irã havia valido os custos, enquanto 55% discordavam. Outros 18% não souberam responder.
Trump sustenta que a ofensiva era necessária para impedir que o Irã desenvolvesse armas nucleares. Após os primeiros ataques, o presidente chegou a afirmar que o conflito terminaria rapidamente. No entanto, mesmo após meses de declarações contraditórias e de um acordo de cessar-fogo que não se sustentou, a guerra continua, embora em menor intensidade.
O ataque mais recente dos Estados Unidos teria ocorrido na última segunda-feira (2), contra a ilha iraniana de Qeshm. A informação foi divulgada pelo jornal The Wall Street Journal, com base em relatos de autoridades americanas.