- Trump afirma acompanhar de perto eleições brasileiras e classifica pleito como muito importante.
- Manifestação ocorre em meio a questionamentos de democratas norte-americanos sobre suposta interferência no processo eleitoral.
- Parlamentares democratas dos EUA enviam carta ao secretário de Estado alertando sobre ações que ameaçam relação estratégica com o Brasil.
- Abin informa a França e Alemanha que EUA e Rússia tentaram interferir nas eleições brasileiras, segundo relatório da Reuters.
- Governo brasileiro adota medidas para proteger eleições de possíveis interferências externas, incluindo monitoramento de desinformação.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quinta-feira (1º) que acompanha “muito de perto” as eleições brasileiras e classificou o pleito como “muito importante”. A declaração foi dada a jornalistas na Casa Branca, a poucos dias do primeiro turno, marcado para domingo (4).
“Estou acompanhando muito de perto as eleições brasileiras. O Brasil é um país muito importante. É um ótimo país. As pessoas do Brasil são fantásticas. É uma eleição muito importante”, declarou Trump.
O presidente norte-americano não mencionou apoio a nenhum candidato brasileiro durante a declaração. A manifestação ocorre em meio a questionamentos de parlamentares democratas dos Estados Unidos e a relatos de autoridades brasileiras sobre uma suposta interferência norte-americana no processo eleitoral.
Trump não cita candidatos
A declaração desta quinta-feira ocorre em um momento de atenção sobre a postura do governo norte-americano diante da eleição brasileira. Diferentemente de outras disputas na América Latina, Trump não indicou publicamente, nesta fala, preferência por nenhum candidato brasileiro.
Na Colômbia, por exemplo, Trump declarou apoio ao candidato Abelardo de la Espriella durante a campanha presidencial daquele país, segundo registros publicados à época.
Congressistas questionam postura do governo dos EUA
Na semana passada, 31 parlamentares democratas dos Estados Unidos enviaram uma carta ao secretário de Estado, Marco Rubio, na qual manifestaram preocupação com a atuação do governo Trump em relação às eleições brasileiras. Os congressistas afirmaram que Washington não deveria interferir no processo eleitoral do Brasil.
Nesta semana, os três senadores democratas Peter Welch, Tim Kaine e Jeanne Shaheen enviaram uma nova carta a Rubio. No documento, eles disseram estar preocupados com ações do governo Trump que, segundo eles, ameaçam a relação estratégica entre os dois países e apontaram uma suposta “campanha de interferência e desestabilização” no Brasil.
Entre os pontos citados pelos senadores estão a nomeação de Darren Beattie para uma função de assessor sênior relacionada à política dos EUA para o Brasil e medidas adotadas pelo governo norte-americano contra o país. Beattie foi nomeado para o cargo em fevereiro e é um crítico do governo brasileiro e do ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes.
EUA negam intenção de interferir
As acusações feitas por parlamentares não são apresentadas como consenso entre as autoridades norte-americanas. O governo dos Estados Unidos já negou intenção de interferir nas eleições brasileiras.
Em setembro, autoridades norte-americanas afirmaram que Washington queria acompanhar um processo eleitoral livre e transparente e rejeitaram a ideia de interferência no pleito.
O episódio também ocorre em meio a tensões diplomáticas entre os dois países, que incluem disputas comerciais e medidas adotadas pelo governo Trump em relação ao Brasil.
Abin relatou suposta interferência
Uma reportagem da Reuters publicada na quarta-feira (30) informou que a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) comunicou a autoridades da França e da Alemanha que Estados Unidos e Rússia teriam tentado interferir nas eleições brasileiras.
Segundo fontes e documentos analisados pela agência, uma delegação francesa e alemã esteve em Brasília em setembro. Um relatório produzido a partir das reuniões registra que autoridades da Abin “confirmaram a existência de interferência tanto dos Estados Unidos quanto da Rússia”.
De acordo com o documento citado pela Reuters, a suposta interferência norte-americana teria envolvido desde “ações judiciais” até ações descritas como abertamente reconhecidas. O relatório, porém, não detalhou quais seriam as ações atribuídas à Rússia.
Brasil busca se proteger de possíveis interferências
Em paralelo, reportagem do The New York Times informou que o governo brasileiro adotou medidas para tentar proteger o processo eleitoral de possíveis interferências externas.
Entre as ações citadas estão articulações diplomáticas com países europeus e asiáticos, monitoramento de possíveis campanhas de desinformação e medidas para combater alegações falsas sobre fraude eleitoral.