O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, lançou oficialmente nesta quinta-feira (22), durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, o chamado Conselho da Paz, iniciativa criada por seu governo para supervisionar a Faixa de Gaza e conduzir a reconstrução do território palestino. O anúncio foi marcado por críticas diretas à Organização das Nações Unidas (ONU) e gerou preocupação na comunidade internacional.
Durante a cerimônia, Trump afirmou que o novo órgão terá ampla autonomia e poderá atuar não apenas em Gaza. Segundo ele, o conselho terá aval “para fazer tudo o que quisermos”, embora tenha declarado que a iniciativa dialogará com outros organismos internacionais, “incluindo a ONU”.
“Eu nunca nem falei com a ONU. Eles tinham um potencial tremendo”, disse o presidente norte-americano, acrescentando que o Conselho da Paz poderá atuar de forma conjunta com a organização internacional.
O governo dos EUA também apresentou um plano de reconstrução batizado de “Nova Gaza”, que prevê a desmilitarização do território e a reconstrução urbana, com a criação de uma nova infraestrutura moderna. Analistas e diplomatas, no entanto, avaliam que a proposta pode enfraquecer o papel da ONU na mediação de conflitos internacionais.
Trump será o presidente vitalício do conselho e o único com poder de veto. Segundo o estatuto preliminar, ele também poderá convidar ou retirar países do grupo. Cerca de 60 líderes mundiais foram convidados a participar da iniciativa. Aproximadamente 30 já aceitaram o convite.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi convidado, mas ainda não respondeu. Já o presidente da Argentina, Javier Milei, participou da cerimônia e assinou o documento que formaliza a criação do conselho.
Lideranças presentes
Além de Trump e Milei, também participaram do lançamento:
- Santiago Peña, presidente do Paraguai
- Ilham Aliyev, presidente do Azerbaijão
- Viktor Orbán, primeiro-ministro da Hungria
- Prabowo Subianto, presidente da Indonésia
- Vjosa Osmani, presidente do Kosovo
O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, também discursou e afirmou que o grupo será “um conselho não apenas da paz, mas da ação”.
Críticas
Fontes diplomáticas ouvidas pela agência Reuters afirmam que há forte preocupação, especialmente entre países europeus, de que o Conselho da Paz funcione como uma espécie de “ONU paralela”, concentrando poder excessivo nos Estados Unidos.
O estatuto preliminar do conselho faz críticas indiretas às Nações Unidas ao defender a criação de um organismo “mais ágil e eficaz” para a consolidação da paz global.
Para o professor de Relações Internacionais da FGV, Oliver Stuenkel, a proposta apresenta fragilidades institucionais e concentra poder demais em uma única liderança.
“Há um temor real de que o conselho se torne uma ONU paralela, controlada pelos Estados Unidos”, avaliou.