A União Europeia (UE) prepara uma resposta de grandes proporções à recente ofensiva do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, envolvendo a Groenlândia. De acordo com fontes diplomáticas, o bloco estuda aplicar um pacote de tarifas retaliatórias que pode chegar a R$ 580 bilhões (€ 90 bilhões), visando proteger a soberania de seus estados-membros e aliados.
A proposta de retaliação vem em resposta à decisão anunciada anteontem pelo presidente dos EUA de impor, a partir de 1º de fevereiro, 10% de tarifas a Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Holanda e Finlândia, membros da Otan (aliança militar ocidental) que enviaram tropas à Groenlândia para uma missão de treinamento.
A "Bazuca" Comercial
A estratégia europeia deve incluir a ativação do chamado "instrumento anticoerção", apelidado em Bruxelas de "bazuca". Esse mecanismo, que nunca foi aplicado desde sua adoção, em 2023, permite que a UE tome medidas rápidas de retaliação comercial contra países que tentem pressionar ou interferir em decisões soberanas da Europa por meio de sanções ou ameaças econômicas.
A medida inclui restrições de investimentos e pode limitar o acesso de companhias americanas ao mercado do bloco europeu, incluindo grandes empresas de tecnologia ou outros prestadores de serviços.
O Foco na Groenlândia
A tensão escalou após novas declarações de Trump sobre o interesse estratégico dos EUA na Groenlândia, território autônomo pertencente à Dinamarca (que faz parte da UE).
A região é rica em recursos minerais e possui localização estratégica no Ártico. A Dinamarca e a UE consideram a proposta de compra ou controle do território como uma afronta diplomática inaceitável.
Consequências Globais
Especialistas alertam que este é o momento de maior tensão nas relações transatlânticas em décadas. Caso as tarifas sejam confirmadas, setores como a indústria automotiva e de tecnologia dos EUA podem ser os mais afetados, gerando uma possível guerra comercial de escala global com impactos imediatos nos mercados financeiros.