- Juiz nega prisão preventiva de Amilton Jusselino Rodrigues, investigado por atropelar e matar Carlos Boulos.
- MPSP solicitou prisão por saída do local do atropelamento, mas juiz considerou medidas cautelares suficientes.
- Amilton responde por homicídio doloso qualificado e terá restrições de movimento e ausências prolongadas.
- Perícias serão realizadas para esclarecer velocidade, trajetória do veículo e posição da vítima no momento do impacto.
- Caso ocorreu em 3 de outubro, na Avenida 23 de Maio, após discussão de trânsito entre os motoristas.
A Justiça de São Paulo negou, nesta terça-feira (20), o pedido de prisão preventiva de Amilton Jusselino Rodrigues, investigado por atropelar e matar Carlos Boulos, de 80 anos, tio do ministro Guilherme Boulos (PSOL). A decisão foi tomada pelo juiz Daniel de Medeiros Silva Corró, que considerou suficientes, neste momento, a aplicação de medidas cautelares para garantir o andamento do processo.
O pedido de prisão foi apresentado pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP), que apontou a saída do motorista do local do atropelamento como um dos motivos para solicitar a medida. Amilton responde por homicídio doloso qualificado por motivo fútil.
Entre as determinações judiciais estão o comparecimento mensal em juízo para justificar suas atividades e comprovar o endereço, a proibição de mudar de residência sem autorização judicial e a restrição de se ausentar do domicílio por mais de oito dias sem autorização. O magistrado também determinou a suspensão da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) do investigado.
Na decisão, o juiz considerou que Amilton compareceu posteriormente à delegacia para prestar esclarecimentos e que os elementos apresentados não justificavam a prisão preventiva naquele momento. Também foram determinadas perícias para esclarecer as circunstâncias do atropelamento, incluindo a velocidade e a trajetória do veículo, além da posição da vítima no momento do impacto.
Relembre o caso
Carlos Boulos foi atropelado na noite de 3 de outubro, na Avenida 23 de Maio, em São Paulo, após uma discussão de trânsito. O dentista dirigia uma caminhonete quando se envolveu em um desentendimento com o motorista de um Fiat Palio.
Segundo as informações da investigação, Carlos desceu do veículo e se aproximou do outro motorista. Em seguida, foi atingido pelo carro. Imagens registradas por uma testemunha mostram o momento em que o idoso tenta impedir a saída do automóvel e acaba sendo atropelado e arrastado.
A vítima foi socorrida e permaneceu internada em estado grave, mas morreu no dia 6 de outubro, três dias após o ocorrido. Com a confirmação da morte, o caso passou a ser investigado como homicídio consumado.
Amilton se apresentou à polícia e prestou depoimento. A defesa do motorista alegou que ele tentou deixar o local por temer pela própria segurança e pela integridade da esposa e do filho, que estavam no carro. Os advogados também afirmaram que não houve intenção de atingir a vítima e sustentaram que a dinâmica do ocorrido deve ser esclarecida pelas imagens e pelas perícias.
As investigações continuam para esclarecer as circunstâncias do atropelamento e determinar as responsabilidades pelo caso.