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Mãe e filho morrem com menos de 24 horas de diferença em São Paulo

Filho morreu na madrugada do dia 25 e a mãe no dia seguinte, em menos de 24 horas de diferença

Mãe e filho são velados e sepultados em Suzano | Foto: Reprodução/ Arquivo pessoal/Fábio Hajime Aihara
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Mãe e filho morreram com menos de 24 horas de diferença em Suzano, na Grande São Paulo. Edson Hirochi Aihara, de 63 anos, faleceu na madrugada do dia 25 de março, enquanto a mãe, Theresa Oguime Aihara, de 96 anos, morreu por volta das 20h30 do dia seguinte.

Theresa estava internada no Hospital Saint Nicholas, enquanto Edson foi atendido no Hospital e Maternidade de Suzano. Segundo familiares, ele apresentou quadro de cansaço dias antes de ser internado, no dia 24, e não resistiu. Já a mãe enfrentava um quadro de infecção urinária e estava debilitada, alimentando-se por meio de sonda.

Após a morte de Edson, a família decidiu não informar Theresa, para evitar que o estado emocional dela se agravasse.

"Os últimos dias têm sido os mais difíceis da minha vida e, ao mesmo tempo, os mais felizes. Perder meu irmão e minha mãe quase no mesmo dia é muito doloroso, mas me conforta saber que nenhum dos dois teve a oportunidade de saber da morte do outro", comentou Fábio Hajime Aihara, filho de Theresa.

Relação marcada por proximidade e cuidado

Considerado "filho do coração" de Theresa, o arquiteto Fernando Masaeoshe Yamasaki relembra a relação próxima com a família. Após perder a mãe biológica ainda criança, encontrou em Theresa uma figura materna.

Família comemorando festa de aniversário de um dos filhos (Foto: Reprodução/ Arquivo pessoal/Fábio Hajime Aihara)

"Como nossas famílias eram muito amigas, eu a intitulei como mãe. Ela me tratava como filho; morávamos em casas separadas, mas estávamos sempre em contato. Eu e os filhos dela fomos criados como irmãos. O nosso sentimento era algo fora do comum, a gente se amava muito", relembrou.

Segundo Fernando, a relação entre Theresa e Edson também era marcada por forte vínculo afetivo e cuidado diário.

"Edinho era um menino muito talentoso para estética. Ele se realizava cuidando da mãe: pintava o cabelo dela, fazia a maquiagem e escolhia as roupas. Eles tinham uma relação muito especial", contou.

Diante da perda recente e da forte ligação familiar, Fábio também falou sobre o impacto emocional do momento e a saudade que permanece.

"Se me perguntassem o que eu queria agora, seria passar mais cinco minutos com o meu irmão e a minha mãe", disse Fábio.

Trajetória e legado

Theresa se mudou para Suzano em 1938, onde construiu sua vida pessoal e profissional. Foi mãe de dois filhos e viúva há 27 anos, sem netos.

Reconhecida pela atuação na medicina, ela foi a primeira médica do município e exerceu a profissão por cerca de 60 anos. Para familiares, sua trajetória foi marcada pelo cuidado com o próximo e dedicação à comunidade.

"Sempre apaziguadora, minha mãe viveu para cuidar dos outros. Foi a primeira médica de Suzano e manteve esse legado por 60 anos. Ela é minha grande inspiração", recordou Fábio.

Descrita como alegre e elegante, Theresa também era lembrada pelo gosto por festas, hábitos saudáveis e viagens.

"Ela era uma pessoa muito festiva, amava fazer festas e sempre foi muito elegante. Também acordava cedo, tinha hábitos saudáveis e amava viajar", lembrou Fernando.

Mãe e filho foram velados no Velório Municipal de Suzano e sepultados no Cemitério São Sebastião, onde familiares e amigos prestaram as últimas homenagens.

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