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Mercados de previsão desafiam governo e crescem fora da regulamentação das bets

Plataformas operam em uma zona cinzenta no Brasil, usam criptomoedas e VPNs para driblar bloqueios e ampliam debate sobre regulamentação.

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  • Plataformas de previsão ganham espaço no Brasil, operando sem regulamentação específica.
  • Governo bloqueou 27 plataformas, incluindo Kalshi e Polymarket, em abril para conter expansão ilegal.
  • Usuários brasileiros acessam plataformas via VPNs e criptomoedas, dificultando controle governamental.
  • Copa do Mundo 2026 impulsionou movimentação de US$ 10 bilhões em apostas de previsão.
  • Especialistas defendem regulamentação, alertando sobre riscos de dependência e desequilíbrio financeiro.
Sem regulação, mercados de predições viram desafio no Brasil | Foto: Reprodução/ Kalshi e Polymarket
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Enquanto as casas de apostas esportivas (bets) seguem no centro do debate sobre regulamentação no Brasil, um outro modelo de apostas tem ganhado espaço e preocupado as autoridades: os mercados de previsão. Essas plataformas permitem que usuários apostem em eventos futuros, como resultados esportivos, eleições e acontecimentos internacionais, funcionando sem regulamentação específica no país. Em abril, o governo bloqueou 27 plataformas, entre elas Kalshi e Polymarket, para impedir a expansão desse modelo sem controle legal.

Como funcionam os mercados de previsão

Diferentemente das bets tradicionais, em que a empresa define as regras e paga os prêmios, os mercados de previsão funcionam como uma espécie de bolsa de negociações. Os usuários compram e vendem contratos baseados na probabilidade de um determinado evento acontecer, como a vitória de uma seleção, a eleição de um candidato ou até acontecimentos internacionais.

Nesse sistema, os contratos são negociados entre os próprios participantes e o lucro da plataforma vem da cobrança de comissões sobre cada operação, e não do resultado final da aposta. Especialistas apontam que essa característica faz com que os defensores do modelo o aproximem do mercado financeiro, embora a atividade continue sendo alvo de debates regulatórios.

Haaland disputa bola com a defesa brasileira em Brasil x Noruega - Foto: Buda Mendes/Getty Images/Via Fifa

Brasileiros usam VPNs e criptomoedas para acessar plataformas

Apesar do bloqueio determinado pelo governo federal, usuários brasileiros ainda conseguem acessar essas plataformas utilizando VPNs e realizando pagamentos, principalmente, por meio de criptomoedas, dificultando o controle das operações.

Além disso, reportagens identificaram anúncios dessas plataformas em redes sociais. Procurada, a Meta informou que anunciantes de jogos de azar precisam comprovar que possuem autorização para atuar nos países onde divulgam seus serviços e ressaltou que conteúdos podem ser restringidos quando violam a legislação local.

Copa do Mundo impulsiona popularidade

A Copa do Mundo de 2026 impulsionou ainda mais a movimentação nos mercados de previsão. Além das apostas convencionais sobre campeão e artilheiro, algumas plataformas passaram a oferecer contratos sobre situações específicas, como a possibilidade de Neymar entrar em campo ou até mesmo se Cristiano Ronaldo choraria durante a competição.

No início do torneio, estimativas da empresa de análises Bernstein apontavam que esse mercado poderia movimentar cerca de US$ 10 bilhões em apostas relacionadas ao Mundial. Apenas a plataforma Kalshi registrou aproximadamente US$ 850 milhões negociados em contratos sobre o campeão da Copa.

Especialistas defendem regulamentação

Na avaliação da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), plataformas que oferecem apostas esportivas precisam seguir regras semelhantes às exigidas das bets regulamentadas. Sem uma legislação específica, o entendimento é de que esses serviços devem permanecer bloqueados no Brasil.

Especialistas também alertam para desafios como o uso de informações privilegiadas e os riscos de dependência em jogos de azar. Um estudo sobre a plataforma Polymarket apontou que 1% dos usuários concentram 76,5% dos lucros, enquanto a maioria registra prejuízos. Para Charles Martineau, professor da Universidade de Toronto e um dos autores da pesquisa, "é muito difícil ganhar dinheiro apostando em esportes" e, para a maior parte das pessoas, a tendência é acumular perdas ao longo do tempo.

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