- Ministério da Saúde lança AdaptaSUS com R$ 9,8 bilhões até 2035 para fortalecer SUS contra impactos do El Niño.
- Programa inclui cinco eixos, como vigilância climática, integração governamental e reforço de insumos essenciais.
- Painel Nacional de Excesso de Calor emitirá alertas com até cinco dias de antecedência para todos os municípios.
- Força Nacional do SUS ampliará capacidade de resposta em até 20 vezes com expansão para oito bases regionais.
- El Niño 2026-2027 pode atingir intensidade elevada, afetando regiões como Norte, Nordeste, Centro-Oeste e Sul.
O Ministério da Saúde lançou, nesta terça-feira (30), um pacote de medidas para fortalecer o Sistema Único de Saúde (SUS) diante dos impactos do fenômeno El Niño 2026-2027 e das mudanças climáticas. O programa, denominado AdaptaSUS, prevê investimentos de R$ 9,8 bilhões até 2035 para ampliar a capacidade de resposta da rede pública em situações de eventos climáticos extremos.
O plano está estruturado em cinco eixos principais: vigilância e emissão de alertas, integração entre os governos federal, estadual e municipal, comunicação com gestores e população, fortalecimento da rede de atendimento e reforço no fornecimento de medicamentos, vacinas, água potável e outros insumos essenciais. Também será criado um painel permanente de especialistas para orientar as ações do governo.
Entre as novidades está o lançamento do Painel Nacional de Excesso de Calor, ferramenta que permitirá emitir alertas com até cinco dias de antecedência para todos os municípios brasileiros, utilizando dados meteorológicos e indicadores de vulnerabilidade social. A iniciativa busca antecipar riscos e permitir que estados e municípios organizem a assistência antes da ocorrência de ondas de calor.
O programa também prevê a implantação de oito Centros Integrados de Saúde e Clima (CISC), distribuídos pelas cinco regiões do país. As unidades reunirão informações sobre clima, saúde e vulnerabilidade social para orientar respostas rápidas do SUS. O primeiro centro será inaugurado nesta quarta-feira (1º), em Salvador (BA), juntamente com uma nova base regional da Força Nacional do SUS.
Com a expansão para oito bases regionais, a Força Nacional do SUS terá sua capacidade de resposta em desastres e emergências sanitárias ampliada em até 20 vezes, segundo o Ministério da Saúde.
Na área de pesquisa, o governo anunciou a maior edição do PET-Saúde Clima, com 197 projetos, 12,6 mil bolsas e investimento de R$ 266 milhões destinados ao desenvolvimento de soluções para enfrentar os impactos das mudanças climáticas nos estados.
O plano inclui ainda protocolos específicos para proteger idosos durante períodos de calor extremo, além da adoção nacional de um modelo desenvolvido em parceria entre o Ministério da Saúde, a Prefeitura do Rio de Janeiro e a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas).
Impactos do El Niño
O El Niño, iniciado em junho deste ano, é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico tropical, alterando padrões climáticos em diversas regiões do planeta. Especialistas alertam que o evento previsto para 2026-2027 poderá atingir intensidade elevada, sendo classificado como um possível "super El Niño".
Segundo o professor de Geografia Claudio de Brito Neri, do Colégio Presbiteriano Mackenzie Tamboré, os efeitos do fenômeno podem ser sentidos em diferentes áreas da vida cotidiana, afetando desde a produção de alimentos até o abastecimento de água e a ocorrência de enchentes.
As previsões indicam seca severa e aumento das queimadas na Região Norte; redução das chuvas e escassez hídrica no Nordeste; calor intenso e baixa umidade no Centro-Oeste; alternância entre ondas de calor, estiagem e chuvas intensas no Sudeste; e excesso de chuvas, enchentes e deslizamentos de terra na Região Sul, historicamente a mais afetada pelo fenômeno no Brasil.