- Cratera McGetchin, com 222 metros de diâmetro, foi identificada na Lua após impacto de asteroide ou cometa em 2024.
- A descoberta ocorreu em outubro de 2025, durante análise de imagens da sonda Lunar Reconnaissance Orbiter.
- A cratera é a maior recém-formada já registrada no Sistema Solar, segundo a NASA.
- Impactos desse porte são raros, ocorrendo em média uma vez a cada 132 anos na superfície lunar.
- A diferença de temperatura ao redor da cratera está ligada à alteração do regolito pela colisão.
Uma nova cratera de grandes proporções foi identificada na superfície da Lua por pesquisadores que analisaram imagens da sonda Lunar Reconnaissance Orbiter (LRO), da NASA. Batizada de McGetchin, a formação possui aproximadamente 222 metros de diâmetro e 43 metros de profundidade, tamanho equivalente a cerca de dois campos de futebol. Segundo os cientistas, impactos capazes de produzir uma cratera desse porte são extremamente raros e acontecem, em média, uma vez a cada 132 anos na superfície lunar.
A cratera recebeu o nome em homenagem ao cientista lunar Tom McGetchin. Os pesquisadores acreditam que a formação tenha surgido após a colisão de um asteroide ou cometa com dimensões semelhantes às de um prédio de três a seis andares. O impacto teria ocorrido entre 11 de abril e 22 de maio de 2024, em uma região próxima à borda leste da Lua.
Apesar de ter sido formada em 2024, a cratera só foi descoberta em 24 de outubro de 2025. A identificação aconteceu durante uma análise de rotina realizada por Robert Wagner, especialista em processamento de imagens que trabalha com dados obtidos pelo sistema de câmeras da LRO. Ao observar uma grande área clara cercada por uma região mais escura, o pesquisador percebeu que havia algo diferente na superfície lunar.
A mancha inicialmente observada não correspondia exatamente à cratera, mas aos materiais que foram lançados ao redor após a colisão. Ao comparar imagens da mesma região registradas antes e depois do possível impacto, Wagner conseguiu confirmar a formação recente e percebeu a dimensão do evento. Segundo ele, o padrão de detritos deixado pela colisão era o mais evidente que já havia observado em imagens desse tipo.
A NASA considera a McGetchin a maior cratera recém-formada já identificada no Sistema Solar por meio da comparação de imagens feitas antes e depois de um impacto. A descoberta também permitiu aos pesquisadores observar com mais detalhes as consequências de uma colisão de grande porte na superfície lunar.
Imagens posteriores obtidas pela câmera de alta resolução da LRO ajudaram a revelar as características da cratera e as alterações provocadas no terreno ao redor. Os cientistas também analisaram a temperatura da região e descobriram que uma área de aproximadamente 6,4 quilômetros ao redor da formação fica cerca de 9°C mais fria durante a noite em comparação com o terreno vizinho.
A diferença de temperatura está relacionada ao regolito, camada formada por poeira, fragmentos de rocha e outros materiais que cobre a superfície da Lua. A força do impacto revolveu e deixou essa camada menos compacta, fazendo com que o terreno passasse a reter menos calor durante a noite.
Além de contribuir para o estudo da formação e evolução da superfície lunar, a descoberta pode ajudar no planejamento de futuras missões espaciais. Os efeitos de uma colisão podem atingir uma área muito maior do que a própria cratera, alterando características como textura e densidade do solo. Essas mudanças podem ser importantes para veículos, equipamentos e astronautas que eventualmente precisem se deslocar pela superfície lunar.
A Lua também está mais exposta a esse tipo de impacto porque praticamente não possui uma atmosfera capaz de desacelerar ou destruir objetos espaciais antes que eles atinjam o solo. Na Terra, parte dos pequenos fragmentos de rocha que entram na atmosfera é desintegrada durante a passagem pelo ar, o que reduz a quantidade de impactos na superfície.
Lançada em 2009, a Lunar Reconnaissance Orbiter permanece em operação estudando a Lua com sete instrumentos científicos. Durante a missão, os pesquisadores já identificaram pelo menos mil novas crateras de impacto, além de aproximadamente 100 mil outras alterações na superfície relacionadas a colisões e aos materiais lançados por elas.
Impactos menores são relativamente comuns na Lua. De acordo com estimativas da NASA, colisões capazes de produzir crateras de aproximadamente nove metros de largura podem acontecer cerca de 140 vezes por ano em toda a superfície lunar. A McGetchin, porém, pertence a uma categoria muito menos frequente, devido às dimensões do objeto responsável pelo impacto e ao tamanho da área modificada pela colisão.