A jurista sul-africana Navanethem “Navi” Pillay, de 85 anos, recebeu o Prêmio Nobel da Paz de 2026, anunciado nesta sexta-feira (9) pelo Comitê Norueguês do Nobel, em Oslo. Ela foi reconhecida por sua atuação na promoção da paz e do direito internacional.
Ao anunciar a escolha, o presidente do comitê, Jørgen Watne Frydnes, destacou a coragem e a integridade de Pillay, além de sua contribuição para o fortalecimento das instituições jurídicas internacionais.
Carreira marcada pela defesa dos direitos humanos
Nascida em Durban, na África do Sul, em uma família de origem tâmil indiana, Pillay construiu uma carreira de cinco décadas como advogada e juíza, em um período marcado pela segregação racial do apartheid.
Ela foi a primeira mulher não branca a integrar a Suprema Corte da África do Sul e atuou como juíza no Tribunal Penal Internacional para Ruanda, responsável por julgar crimes relacionados ao genocídio de 1994.
Pillay também chefiou o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, entre 2008 e 2014, e presidiu uma comissão independente de investigação da ONU que concluiu, em relatório publicado em 2025, que Israel cometeu genocídio na Faixa de Gaza. Israel contestou as conclusões.
Nobel foi descrito como mensagem em defesa da ordem internacional
Durante o anúncio, Frydnes afirmou que a escolha de Pillay representa uma mensagem a pessoas e governos que, segundo ele, estão atacando e enfraquecendo o sistema internacional.
A declaração foi interpretada como uma crítica indireta a lideranças que contestam instituições jurídicas internacionais, entre elas o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O comitê, porém, apresentou oficialmente a premiação como um reconhecimento à trajetória de Pillay e à promoção do direito internacional.
Jurista diz ter ficado surpresa com a premiação
Pillay afirmou ter ficado surpresa ao saber que havia recebido o Nobel da Paz. Em uma manifestação após o anúncio, defendeu os direitos humanos e fez uma referência irônica a Trump, que já manifestou publicamente interesse em receber o prêmio. Antes do anúncio, Frydnes brincou ao pedir que a jurista atendesse ao telefone, em referência à tradição de comunicar aos laureados a escolha do comitê.
Prêmio inclui medalha e 12 milhões de coroas suecas
Além de uma medalha de ouro com a imagem de Alfred Nobel, fundador do prêmio, Pillay receberá 12 milhões de coroas suecas, valor equivalente a aproximadamente R$ 6 milhões, conforme a cotação considerada na divulgação.
A escolha foi celebrada por representantes de instituições internacionais ligadas à Justiça e aos direitos humanos. O Alto Comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk, classificou o reconhecimento como uma vitória coletiva dos direitos humanos e da justiça.