- A ONU cortou mais de 10 mil postos de trabalho em 2025 e reduziu orçamento em 7% devido a crise financeira.
- Crise afeta programas humanitários, ameaçando acesso a abrigo e alimentação para refugiados no Brasil.
- Estados Unidos condiciona pagamentos à implementação de reformas e mantém dívida de US$ 1,3 bilhão.
- ACNUR reduziu 40% da força de trabalho no Brasil e enfrenta dificuldades para manter serviços essenciais.
- Cortes atingem 21 das 41 agências da ONU, incluindo ACNUR, OIM e Unicef, com impacto em 8,3 milhões de pessoas.
A Organização das Nações Unidas (ONU) cortou mais de 10 mil postos de trabalho em 2025 e reduziu seu orçamento para 2026 em 7%, diante de uma crise financeira agravada pela queda de doações e pelos atraso nas contribuições dos países-membros. A situação ameaça programas humanitários e pode deixar refugiados no Brasil sem acesso a abrigo, alimentação e outros serviços essenciais. Os Estados Unidos, maior contribuinte da organização, têm condicionado novos pagamentos à implementação de reformas.
Assistência a refugiados em risco
Uma das agências mais afetadas é o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR). No Brasil, a instituição havia recebido, até o fim de agosto, apenas 22% dos recursos necessários para operar em 2026, segundo o representante da agência no país, Davide Torzilli.
No ano passado, 40% da força de trabalho do ACNUR e de organizações parceiras financiadas pela agência no Brasil foi cortada. Segundo Torzilli, parte dos refugiados já deixou de ter acesso a serviços, enquanto outros passaram a receber atendimento limitado, conforme critérios de vulnerabilidade.
A situação preocupa diante da chegada de até 500 pessoas por dia ao Brasil em busca de proteção internacional.
Estados Unidos pressionam a ONU
A crise também é agravada pelos atrasos nas contribuições obrigatórias. Em setembro, os Estados Unidos pagaram US$ 725 milhões referentes ao orçamento regular e outros US$ 102 milhões destinados às missões de paz. Ainda assim, a ONU informou que o país mantinha uma dívida de US$ 1,3 bilhão em contribuições anuais antes desses repasses.
O governo de Donald Trump condiciona novos pagamentos a avanços nas reformas da organização e afirma que fiscalizará o uso dos recursos para impedir o financiamento de entidades consideradas contrárias à política externa americana.
Para o especialista em Relações Internacionais Uriã Fancelli, a estratégia representa uma forma de “chantagem” e busca pressionar a ONU a reduzir gastos e funcionários, além de enfraquecer sua atuação multilateral.
Cortes atingem agências humanitárias
Entre 2024 e 2025, o número de postos de trabalho no sistema das Nações Unidas caiu de 130.948 para 120.176, uma redução de aproximadamente 8%. Os cortes atingiram 21 das 41 agências e organismos analisados, incluindo o ACNUR, a Organização Internacional para as Migrações (OIM) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).
No caso do ACNUR, a agência informou que os cortes podem deixar 8,3 milhões de pessoas sem assistência vital em 2026 A instituição também reduziu seu orçamento e enfrenta dificuldades para arrecadar os valores necessários à manutenção dos serviços.
Apesar da crise em parte das operações humanitárias, iniciativas da ONU no Brasil receberam US$ 213 milhões em 2025, um aumento de 37% em relação ao ano anterior, com recursos de governos e do setor privado.