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ONU corta mais de 10 mil postos, e refugiados no Brasil podem ser afetados

Redução de recursos e pressão dos Estados Unidos ameaçam programas humanitários; ACNUR recebeu apenas 22% do necessário para operar no Brasil em 2026

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  • A ONU cortou mais de 10 mil postos de trabalho em 2025 e reduziu orçamento em 7% devido a crise financeira.
  • Crise afeta programas humanitários, ameaçando acesso a abrigo e alimentação para refugiados no Brasil.
  • Estados Unidos condiciona pagamentos à implementação de reformas e mantém dívida de US$ 1,3 bilhão.
  • ACNUR reduziu 40% da força de trabalho no Brasil e enfrenta dificuldades para manter serviços essenciais.
  • Cortes atingem 21 das 41 agências da ONU, incluindo ACNUR, OIM e Unicef, com impacto em 8,3 milhões de pessoas.
A bandeira da ONU na sede das Nações Unidas em Nova York, em 21 de setembro de 2026 | Foto: Brendan McDermid/Reuters
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A Organização das Nações Unidas (ONU) cortou mais de 10 mil postos de trabalho em 2025 e reduziu seu orçamento para 2026 em 7%, diante de uma crise financeira agravada pela queda de doações e pelos atraso nas contribuições dos países-membros. A situação ameaça programas humanitários e pode deixar refugiados no Brasil sem acesso a abrigo, alimentação e outros serviços essenciais. Os Estados Unidos, maior contribuinte da organização, têm condicionado novos pagamentos à implementação de reformas.

Assistência a refugiados em risco

Uma das agências mais afetadas é o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR). No Brasil, a instituição havia recebido, até o fim de agosto, apenas 22% dos recursos necessários para operar em 2026, segundo o representante da agência no país, Davide Torzilli.

No ano passado, 40% da força de trabalho do ACNUR e de organizações parceiras financiadas pela agência no Brasil foi cortada. Segundo Torzilli, parte dos refugiados já deixou de ter acesso a serviços, enquanto outros passaram a receber atendimento limitado, conforme critérios de vulnerabilidade.

A situação preocupa diante da chegada de até 500 pessoas por dia ao Brasil em busca de proteção internacional.

Crianças refugiadas da Somália em uma tenda na Etiópia, em agosto de 2011 — Foto: UN Photo/Eskinder Debebe 

Estados Unidos pressionam a ONU

A crise também é agravada pelos atrasos nas contribuições obrigatórias. Em setembro, os Estados Unidos pagaram US$ 725 milhões referentes ao orçamento regular e outros US$ 102 milhões destinados às missões de paz. Ainda assim, a ONU informou que o país mantinha uma dívida de US$ 1,3 bilhão em contribuições anuais antes desses repasses.

O governo de Donald Trump condiciona novos pagamentos a avanços nas reformas da organização e afirma que fiscalizará o uso dos recursos para impedir o financiamento de entidades consideradas contrárias à política externa americana.

Para o especialista em Relações Internacionais Uriã Fancelli, a estratégia representa uma forma de “chantagem” e busca pressionar a ONU a reduzir gastos e funcionários, além de enfraquecer sua atuação multilateral.

Cortes atingem agências humanitárias

Entre 2024 e 2025, o número de postos de trabalho no sistema das Nações Unidas caiu de 130.948 para 120.176, uma redução de aproximadamente 8%. Os cortes atingiram 21 das 41 agências e organismos analisados, incluindo o ACNUR, a Organização Internacional para as Migrações (OIM) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).

No caso do ACNUR, a agência informou que os cortes podem deixar 8,3 milhões de pessoas sem assistência vital em 2026 A instituição também reduziu seu orçamento e enfrenta dificuldades para arrecadar os valores necessários à manutenção dos serviços.

Apesar da crise em parte das operações humanitárias, iniciativas da ONU no Brasil receberam US$ 213 milhões em 2025, um aumento de 37% em relação ao ano anterior, com recursos de governos e do setor privado.

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