- Papa Leão XIV criticou associação entre religião e extremismo durante viagem de volta à Itália.
- Declaração foi feita após visita a Metz, em resposta a perguntas sobre redução de fiéis na Alemanha.
- Pontífice defendeu retorno aos valores do Evangelho, como compaixão e unidade.
- Leão XIV mencionou possibilidade de visita à Alemanha e criticou aumento de gastos militares.
- Papa também abordou guerra na Ucrânia e chamou o conflito de “novo massacre sem sentido”.
O papa Leão XIV afirmou nesta segunda-feira (28), durante a viagem de retorno da França para a Itália, que o crescimento de grupos de extrema direita não representa uma expressão autêntica do cristianismo. A declaração foi dada durante uma coletiva no avião, após a visita do pontífice a Metz, na França, e ocorreu em resposta a uma pergunta sobre a redução do número de fiéis na Alemanha e uma possível relação entre a crise religiosa e o avanço de grupos extremistas no país. Leão XIV defendeu que os cristãos retomem os valores do Evangelho, como compreensão e compaixão.
Crítica à associação entre religião e extremismo
Segundo Leão XIV, em alguns casos, o crescimento de grupos de extrema direita tem sido acompanhado pela associação entre posições políticas e determinadas formas de religiosidade.
O pontífice citou também a posição de lideranças das Igrejas Católica e Protestante na Alemanha ao comentar o tema e afirmou que essa associação não corresponde ao que considera uma expressão autêntica do cristianismo.
“Uma religiosidade que, não só na minha opinião, mas também na opinião dos líderes das Igrejas Católica e Protestante na Alemanha, não representa uma expressão autêntica do cristianismo. Devemos retornar aos valores do Evangelho, que não se baseiam no ódio e na divisão, mas na compreensão, na compaixão e no acompanhamento”, afirmou.
A viagem à França foi a primeira visita oficial de Leão XIV ao país desde que assumiu o pontificado. O roteiro incluiu Paris, Lourdes e Metz, onde o papa tratou de temas relacionados à paz, unidade europeia e dignidade humana.
Possível viagem à Alemanha
Durante a coletiva, Leão XIV afirmou que ainda não existe uma data definida para uma visita à Alemanha, mas disse que gostaria de conhecer o país.
Ao comentar a redução do número de fiéis, o pontífice afirmou que seria necessário estudar se existe alguma relação entre esse fenômeno e o crescimento de grupos de extrema direita.
“Seria interessante estudar e analisar se existe, e de que maneira poderia existir, uma relação, por exemplo, entre o crescimento desses grupos de extrema direita”, disse.
Leão XIV também defendeu princípios que considera fundamentais para a União Europeia, entre eles o Estado de Direito e a igualdade entre as pessoas, independentemente de raça, cor, classe social ou profissão.
Papa fala sobre guerra na Ucrânia
A coletiva também abordou a guerra na Ucrânia. Leão XIV afirmou que os envolvidos nas negociações precisam estar dispostos a abrir mão de determinadas posições para alcançar um acordo de paz.
Sem citar diretamente os países envolvidos, o papa classificou o conflito como um “novo massacre sem sentido” e lamentou as mortes de civis.
O pontífice voltou ainda a criticar o aumento dos gastos militares dos países europeus. Para ele, parte dos recursos destinados à compra de armamentos poderia ser utilizada para enfrentar problemas sociais.
“Esses bilhões de euros ou dólares poderiam ser usados para resolver problemas como a fome mundial, a crise habitacional e o desemprego. Precisamos de uma voz que proponha um caminho diferente, que rejeite a ideia de gastar cada vez mais em armamentos, alimentando apenas tensões que podem levar ao início de outra guerra ou a um novo conflito”, afirmou.
Saúde, educação e dignidade humana
Leão XIV defendeu que os países também priorizem investimentos em saúde e educação, em vez de ampliar os gastos com armas.
O papa afirmou ainda que a Igreja Católica deve ter participação na promoção da dignidade humana e na defesa daquilo que chamou de “santidade da vida”.
A declaração ocorreu no encerramento da passagem do pontífice pela França, marcada por encontros religiosos e manifestações sobre paz, unidade, dignidade humana e futuro da Europa.