- Petrobras identificou hidrocarbonetos no poço Morpho, na Bacia da Foz do Amazonas, em águas profundas do Amapá.
- A descoberta foi feita por perfis elétricos e indicativos em rochas durante a perfuração do poço 1-BRSA-1405-APS.
- A empresa continua as operações para avaliar o potencial da descoberta, com foco em segurança e sustentabilidade.
- A licença para a perfuração foi concedida pelo Ibama em outubro de 2025, após longo processo de licenciamento.
- Novas perfurações podem ser necessárias para confirmar o tamanho e características do reservatório.
A Petrobras identificou a presença de hidrocarbonetos no poço exploratório Morpho, localizado na Bacia da Foz do Amazonas, em águas profundas do Amapá, na Margem Equatorial brasileira. O poço fica a cerca de 175 quilômetros da costa, a uma profundidade de 2.886 metros, e a perfuração continua para avaliar as características e o potencial da descoberta. A presença de hidrocarbonetos foi identificada por meio de perfis elétricos e indicativos encontrados nas rochas durante a perfuração do poço Morpho (1-BRSA-1405-APS), no bloco FZA-M-59. A Petrobras informou que as operações seguem em andamento para ampliar a avaliação exploratória da área. Segundo a estatal, os trabalhos são realizados com foco na segurança das operações e no respeito ao meio ambiente e às pessoas. A licença para a perfuração do primeiro poço foi concedida pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) em outubro de 2025, após anos de processo de licenciamento. A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou que o resultado confirma as expectativas da companhia sobre o potencial da região. “Nosso otimismo em relação à margem equatorial brasileira se confirma hoje. Essa primeira descoberta na costa do Amapá é resultado da dedicação e da competência da Petrobras, que está comprometida com a recomposição das reservas de petróleo e com a segurança energética do país.” Apesar da identificação de hidrocarbonetos, a Petrobras ainda precisa realizar uma série de estudos para determinar o tamanho do reservatório, suas características, a qualidade do óleo e a relação entre petróleo e gás. O presidente do Instituto Brasileiro de Petróleo (IBP), Roberto Ardenghy, destacou que a descoberta representa uma primeira indicação sobre o potencial da região, mas afirmou que novas perfurações podem ser necessárias. “É claro que ela é uma primeira notícia sobre a presença de petróleo e gás na Bacia Foz do Amazonas. Então, essa é a relevância da notícia. E isso prova a teoria geológica de que ali há hidrocarbonetos e permite que você, então, continue todo o trabalho exploratório.” Segundo Ardenghy, uma única perfuração não é suficiente para determinar a dimensão de um possível reservatório. “Então, são elementos que vão direcionar o plano de desenvolvimento dessa reserva. E isso, muitas vezes, você é obrigado a fazer, inclusive, mais perfurações.” A Margem Equatorial se estende pelo litoral brasileiro do Amapá ao Rio Grande do Norte e é considerada uma área estratégica para a exploração de petróleo e gás. A região é formada por cinco bacias, entre elas a Bacia da Foz do Amazonas. A Petrobras é a operadora do bloco FZA-M-59 e possui 100% de participação na área. O bloco foi adquirido pela companhia durante a 11ª Rodada de Licitações da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), realizada em 2013, sob o regime de concessão. A exploração da região ganhou força após Guiana e Suriname, países vizinhos ao Brasil, anunciarem grandes descobertas de petróleo na área da Margem Equatorial. No Brasil, projeções da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) apontam que, caso as reservas sejam confirmadas, o petróleo da região poderá ampliar em mais de 50% as reservas provadas do país. O processo de licenciamento para a exploração na região começou em 2014. Em 2020, a Petrobras passou a deter integralmente o bloco após comprar a participação da BP, que havia desistido do projeto diante da dificuldade de obter autorização ambiental. Por se tratar de uma área de alta sensibilidade ambiental, o licenciamento exigiu o cumprimento de medidas específicas, incluindo a construção de estruturas para reabilitação e despetrolização de animais. Os espaços são destinados ao resgate e tratamento da fauna marinha em caso de incidentes. O consultor Pedro Rodrigues, sócio da CBIE, afirmou que a descoberta confirma a existência de petróleo na região, mas ressaltou que ainda será necessário avançar na avaliação do potencial da área. “É uma ótima notícia para o Brasil e para a Petrobras, pois o país pode conseguir manter seu nível de reserva e de produção de petróleo, se mantendo, do ponto de vista global, como protagonista da exploração de recursos de petróleo.” A Petrobras ainda aguarda autorização para outros três poços na região. A companhia considera o poço Morpho o primeiro passo para ampliar o conhecimento sobre a estrutura geológica e o potencial de produção da área.Indício de petróleo
Avaliação ainda será feita
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